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Trump critica tratado nuclear com Moscou e defende novo acordo

Presidente dos EUA diz que pacto atual está sendo violado e propõe documento modernizado para o futuro.
Trump critica tratado nuclear com Moscou e defende novo acordoGettyimages.ru / Alex Wong

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (5) que o tratado nuclear New START, assinado com Moscou, foi "mal negociado" e está sendo "grosseiramente violado". A declaração foi feita em publicação na rede Truth Social, em que o presidente norte-americano defendeu a elaboração de um novo pacto sobre armamento estratégico entre as potências.

"Em vez de prorrogar o 'NEW START' (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que, além de tudo, está sendo grosseiramente violado), devemos ter nossos especialistas nucleares trabalhando em um tratado novo, melhorado e modernizado, que possa durar por muito tempo no futuro", escreveu Trump.

O tratado New START, firmado entre os Estados Unidos e a Rússia em 2010, prevê limites para ogivas nucleares e vetores de lançamento de ambos os lados. Em 2021, o acordo foi prorrogado por mais cinco anos, mas as tensões recentes entre Washington e Moscou colocaram em xeque sua continuidade.

No mesmo texto, Trump voltou a destacar o fortalecimento das Forças Armadas dos EUA durante sua gestão. Segundo ele, houve modernização do arsenal nuclear, criação da Força Espacial e incorporação de novos couraçados com "100 vezes mais poder do que os da Segunda Guerra Mundial".

Trump ainda afirmou que sua atuação impediu conflitos de maior escala, incluindo guerras nucleares, e citou as tensões entre Rússia e regime de Kiev, Irã e Israel, e Índia e Paquistão.

O que é e o que estipula o Tratado de Redução de Armas Estratégicas?

Ele foi assinado em Praga (República Tcheca) em 8 de abril de 2010 pelos então presidentes da Rússia e dos EUA, Dmitry Medvedev e Barack Obama, respectivamente, e entrou em vigor em fevereiro de 2011. O convênio era vigente por 10 anos. No início de 2021, ambas as partes concordaram em prorrogá-lo sem condições prévias, com validade prevista até 2026.

As disposições fundamentais

De acordo com o tratado, as duas partes se comprometem a reduzir suas forças nucleares para:

  • 1.550 ogivas nucleares;

  • 700 mísseis balísticos intercontinentais implantados, mísseis balísticos em submarinos implantados e bombardeiros pesados implantados;

  • 800 sistemas implantados e não implantados de lançamento para mísseis balísticos intercontinentais, mísseis balísticos em submarinos e bombardeiros pesados.

O acordo em questão prevê o monitoramento mútuo dos arsenais nucleares por parte de Washington e Moscou. Além disso, o tratado proíbe a implantação de armas estratégicas fora do território nacional de cada país.

Moscou suspendeu as inspeções previstas pelo tratado, em agosto de 2022, alegando o impacto das sanções ocidentais nas viagens e no trabalho dos inspetores russos nos EUA, o que daria uma vantagem injusta ao lado americano. 

Em fevereiro de 2023, os países membros da OTAN instaram a Rússia a cumprir suas obrigações contempladas no convênio. Enquanto isso, Moscou considerou que os EUA "destruíram efetivamente a base legal em matéria de controle de armas e segurança", agora que a infraestrutura militar da OTAN atua contra a Rússia.