O Washington Post anunciou nesta quarta-feira (4) a demissão de aproximadamente um terço de seu quadro de funcionários. A medida atingiu centenas de profissionais de diversos setores, sendo uma das maiores reduções de pessoal da história da empresa, segundo informações do The Guardian.
O editor-chefe Matt Murray afirmou em comunicado que os cortes fazem parte de um plano de reposicionamento de mercado. Segundo a empresa, a meta é ajustar a estrutura de custos e focar em áreas que geram maior retorno em assinaturas digitais.
Já para Marty Baron, ex-editor executivo do jornal, que ganhou 11 prêmios Pulitzer quando esteve à frente do The Washington Post, "a mudança mais importante é que Donald Trump está de volta à Casa Branca e ele claramente buscaria vingança contra seus inimigos políticos", disse ao Guardian. "Eu entendo por que Bezos pode temer as consequências disso. Entendo que ele teria medo de que Trump negasse contratos à Amazon e à Blue Origin".
Departamentos inteiros, incluindo as editorias de esportes, estilo e notícias locais, foram encerrados ou reduzidos ao mínimo. Funcionários relataram que as comunicações sobre os desligamentos ocorreram de forma simultânea em toda a redação.
Críticas e preocupações
Ainda segundo o Guardian, o proprietário do jornal, Jeff Bezos, e a diretoria executiva enfrentam críticas internas pela escala das demissões. Profissionais da casa expressaram preocupação com o impacto da redução de pessoal na capacidade de cobertura do veículo.
As seções de áudio e notícias internacionais, que já haviam passado por cortes em anos anteriores, sofreram novas baixas. A estratégia agora prioriza a cobertura de política e governo como eixo central da produção jornalística.
A empresa informou que os funcionários demitidos receberão pacotes de indenização. A partir de agora, o jornal operará com uma equipe enxuta, focada em temas que a administração considera estratégicos para a sobrevivência financeira.