O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermudez, criticou duramente os Estados Unidos durante uma declaração concedida a jornalistas nesta quinta-feira (5).
Segundo o chefe de Estado cubano, Washington não tem legitimidade para acusar Cuba de terrorismo, uma vez que o próprio país caribenho foi historicamente alvo de ações terroristas patrocinadas ou toleradas por autoridades norte-americanas.
"Como pode [os EUA] falar de terrorismo em Cuba, um país que foi vítima do terrorismo por parte daquele que nos está acusando? É uma falta de vergonha, é uma imoralidade. É uma manipulação, é uma mentira, é uma calúnia", afirmou Díaz-Canel, visivelmente indignado com as recentes acusações vindas de Washington.
O presidente cubano também ressaltou que existem provas recentes da forma como os governos dos Estados Unidos conduzem o debate sobre o tema. "Mas nós temos fatos muito recentes sobre a desonestidade com que os governos dos Estados Unidos lidaram com o tema do terrorismo culpando Cuba", declarou.
"Agredida pelos EUA há 66 anos"
Em janeiro, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que o país é alvo de agressões dos Estados Unidos há 66 anos e reiterou que Cuba está preparada para defender sua soberania.
"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos Estados Unidos há 66 anos, e não ameaça: se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", declarou o presidente, em resposta às ameaças do governo Trump.
''Disposta ao diálogo''
Apesar disso, Canel enfatizou nesta quinta-feira (5) a disposição de seu país em conversar com os Estados Unidos:
"Cuba está disposta a um diálogo sobre qualquer uma das questões que eles desejem discutir ou dialogar", disse o presidente à imprensa, acrescentando que o diálogo deve ocorrer "sem pressão" e "sem pré-condições".
O presidente cubano expressou desejo de que as negociações ocorram "em posição de igualdade", respeitando a soberania da nação caribenha e sem interferir em seus assuntos internos.