Vance diz que EUA querem trabalhar com Rússia e China para reduzir arsenais nucleares

'A maior ameaça à segurança global é que muitas pessoas possuam armas nucleares', declarou o vice-presidente norte-americano.

Washington está disposto a trabalhar com Rússia, China e outros países para reduzir o número de armas nucleares no mundo, afirmou o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, em entrevista à jornalista Megyn Kelly, publicada na quarta-feira (4).

"A maior ameaça à segurança global é que muitas pessoas possuam armas nucleares", declarou Vance.

"Trabalharemos com a China, a Rússia e qualquer outro país, sejam eles amigos ou um pouco mais competitivos, para tentar reduzir a quantidade de armas nucleares existentes no mundo. Acredito que isso seja o mais importante que se pode fazer pela paz e pela estabilidade", garantiu.

Expiração do START III

As declarações de Vance ocorreram antes da expiração do Tratado de Redução de Armas Estratégicas entre os EUA e a Rússia, também conhecido como START III ou Novo START. A vigência do documento expira nesta quinta-feira (5).

O START III era a última ferramenta da dissuasão nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos. Assinado em 8 de abril de 2010 pelos então presidentes Dmitry Medvedev e Barack Obama, o tratado vigorou por 10 anos e foi prorrogado sem pré-condições por mais cinco anos em fevereiro de 2021.

Pelo acordo, as partes se comprometiam a reduzir suas forças nucleares ativas para:

Moscou suspendeu sua participação no pacto em fevereiro de 2023, alegando que Washington "destruiu a base legal em matéria de controle de armas e segurança" ao mobilizar a infraestrutura militar da Otan contra a Rússia. Ao mesmo tempo, a Rússia sempre declarou que pretende cumprir as restrições previstas dentro do prazo de vigência do acordo.

Em setembro passado, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Moscou está disposto a continuar aderindo ao tratado por mais um ano após sua expiração, caso os EUA adotem medida semelhante. Ao comentar a iniciativa russa, o líder americano, Donald Trump, classificou-a inicialmente como uma "boa ideia". No entanto, posteriormente, não demonstrou preocupação com a possível expiração do tratado.

Um dos principais obstáculos para a prorrogação do acordo é a intenção dos EUA de incluir a China, argumentando que seu arsenal nuclear está crescendo rapidamente. No entanto, o arsenal chinês continua sendo muito inferior ao russo e ao americano, representando entre 11% e 12% do volume destes.

O que vem a seguir?

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, alertou que "dentro de poucos dias o mundo provavelmente ficará em uma situação mais perigosa do que até agora".

"Pela primeira vez, os Estados Unidos e a Federação Russa — os dois países com os maiores arsenais nucleares do mundo — ficarão sem um documento fundamental que limite e controle esses arsenais. Acreditamos que isso seja muito ruim", afirmou.