O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermudez, declarou nesta quinta-feira (5) que Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos.
"Cuba está disposta a um diálogo sobre qualquer uma das questões que eles desejem discutir ou dialogar", disse o presidente à imprensa, acrescentando que o diálogo deve ocorrer "sem pressão" e "sem pré-condições".
O presidente cubano expressou desejo de que as negociações ocorram "em posição de igualdade", respeitando a soberania da nação caribenha e sem interferir em seus assuntos internos.
"Os cubanos não odeiam o povo americano"
O presidente ressaltou ainda que o povo cubano não tem sentimentos de ódio quanto ao povo dos Estados Unidos.
"Nós cubanos não odiamos o povo americano, reconhecemos os valores do povo americano", declarou, observando que entre Havana e Washington há toda uma série de questões nas quais eles podem trabalhar "sem preconceitos".
Ameaças de Trump a Cuba
Após a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, Donald Trump fez declarações ameaçando aumentar a pressão sobre Cuba. O presidente norte-americano afirmou que "entrar e destruir" Cuba poderia ser a única opção restante para forçar uma mudança.
As ameaças ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm sobre Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi ainda reforçado com várias medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.
Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva declarando "estado de emergência nacional" em resposta à alegada "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "numerosos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" como o Hamas e o Hezbollah, e permitir o destacamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".