
Presidente cubano: 'O mundo não pode permitir que a força esmague o multilateralismo'

Diante das crescentes ameaças de agressão militar dos EUA contra países da América Latina, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira (5) que a força não pode estar acima da diplomacia e do multilateralismo.

"Acredito que o mundo não pode se deixar subjugar, o mundo não pode se deixar humilhar, o mundo não pode permitir que a força esmague o multilateralismo", declarou.
O presidente destacou ainda que o mundo aprendeu lições com o que aconteceu recentemente na Venezuela, referindo-se ao sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, e com as ameaças do governo dos Estados Unidos em relação a Cuba e outros países.
Miguel Díaz-Canel enfatizou a importância de a comunidade internacional compreender que enfrenta uma guerra política, ideológica, cultural e midiática, uma tentativa de "impor o pensamento hegemônico da principal potência imperialista do mundo".
O líder cubano insistiu que esta é uma guerra que abrange a esfera cultural, pois "para que a hegemonia" dessa potência prevaleça, "é preciso usar todas as manobras possíveis para fazer com que as pessoas vejam sua cultura e história como obsoletas, para fazê-las renunciar à sua identidade".
Díaz-Canel ressaltou que essa luta no âmbito cultural ocorre na mídia e na opinião pública internacional, como demonstram os eventos que levaram à agressão militar contra a Venezuela. "Acredito que os povos, governos, países, nações e o Sul Global devem compreender o que está em jogo (...), o que nos oferecem como futuro a partir deste presente brutal, e, a partir daí, buscar coordenação e unidade."
O presidente cubano chamou a atenção para a importância de não se limitar à retórica, mas também incluir ações e "denúncias constantes". Desta forma, ele apoia o fortalecimento de outros blocos que defendem o multilateralismo, como o BRICS, bem como "as próprias relações da China e da Rússia com os países do Sul Global".
Ameaças de Trump a Cuba
Após a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, Donald Trump fez declarações ameaçando aumentar a pressão sobre Cuba. O presidente norte-americano afirmou que "entrar e destruir" Cuba poderia ser a única opção restante para forçar uma mudança.
As ameaças ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm sobre Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi ainda reforçado com várias medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.
Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva declarando "estado de emergência nacional" em resposta à alegada "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "numerosos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" como o Hamas e o Hezbollah, e permitir o destacamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".

