O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, alertou para as consequências devastadoras que uma escalada das tensões com o Irã pode trazer para o Oriente Médio.
Em entrevista à RT, em ocasião do Dia do Diplomata, o chanceler disse que Moscou está disposta a contribuir na busca por uma solução pacífica para o impasse.
"O Irã é um aliado próximo, um vizinho, por isso nos preocupamos com o desenrolar da situação, especialmente considerando que ela é potencialmente explosiva não apenas para o Irã, mas também para todo o Oriente Médio", afirmou o chanceler em conversa com Rick Sanchez.
Lavrov alertou que há "bombas-relógio" na região que podem explodir se forem acionadas por "descuido".
Ao mesmo tempo, ele propôs a cooperação de Moscou para viabilizar um acordo nuclear entre Irã e Estados Unidos: "Se, no âmbito deste acordo, surgirem medidas concretas que a Rússia possa ajudar a implementar, incluindo nossa expertise em armazenamento de urânio, estaremos prontos para oferecer essa assistência", disse.
"O Irã demonstrou publicamente, mais uma vez, por meio de seu presidente, seu interesse em um diálogo justo baseado no equilíbrio de interesses", concluiu o chanceler.
Tensões entre Washington e Teerã
- A tensão entre os Estados Unidos e o Irã aumentou no início de janeiro, quando Trump ameaçou uma intervenção militar, alegando preocupação com os participantes dos protestos internos no Irã. Embora as manifestações tenham cessado, Washington manteve a pressão, recalibrando seu argumento de volta à oposição aos programas nucleares e de mísseis de Teerã.
- Em 27 de janeiro, a retórica se transformou em ação: Trump anunciou o envio de uma "maravilhosa armada" ao Irã, após o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Oriente Médio, colocando assim o país persa em sua mira.
- Teerã respondeu com uma advertência clara: qualquer ação militar será considerada uma declaração de guerra, e afirmou que suas forças estão prontas para responder imediatamente. No entanto, também deixou uma porta aberta para o diálogo, condicionando-o ao "respeito mútuo".
- Na segunda-feira (2), o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Abdolrahim Mousavi, advertiu que qualquer erro de cálculo por parte daqueles que tentarem atacar seu país desencadeará uma resposta contundente por parte da República Islâmica.