Moscou lamenta fim do tratado de armas estratégicas entre Rússia e EUA

O Kremlin acrescentou que Washington deixou sem resposta a proposta russa para manter os limites para armas nucleares por mais um ano, mesmo após o término do pacto.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, também conhecido como START III ou Novo START, expira nesta quinta-feira, 5 de fevereiro. Moscou lamentou e considerou a não prorrogação como "negativa", declarou nesta quinta-feira (5) o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov.

"A validade do tratado está chegando ao fim. Vemos isso de forma negativa e lamentamos. Nossa iniciativa de manter os limites quantitativos por mais um ano, mesmo após o término deste documento, também não foi respondida [pelos EUA]", disse ele.

Peskov destacou que ontem, durante a videoconferência entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente chinês Xi Jinping, a questão da expiração do tratado foi discutida sob a perspectiva das consequências negativas para o sistema internacional de controle de armas nucleares e para a estabilidade global. 

O porta-voz indicou que os presidentes não abordaram a questão de um eventual novo tratado com a participação de Pequim, algo que Washington almeja.

"Nossos amigos chineses mantêm a posição de que suas capacidades nucleares não são comparáveis ​​às dos EUA e da Rússia e, portanto, não querem participar das negociações, pois não consideram isso razoável", explicou Peskov. Ele enfatizou ainda que Moscou respeita a posição de Pequim.

"A partir de agora, tudo dependerá de como os eventos se desenrolarem", afirmou.

"Em qualquer caso, a Rússia manterá sua abordagem responsável e atenta à questão da estabilidade estratégica no campo das armas nucleares e, claro, como sempre, será guiada, antes de tudo, por seus interesses nacionais", acrescentou.

Em que consistia o tratado?

O START III era a última ferramenta da dissuasão nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos. Assinado em 8 de abril de 2010 pelos então presidentes Dmitry Medvedev e Barack Obama, ele vigorou por 10 anos e foi prorrogado sem pré-condições por mais cinco anos em fevereiro de 2021.

Sem a resposta de Washington à proposta do presidente russo Vladimir Putin de prorrogar o acordo por mais um ano, as duas maiores potências nucleares do mundo passam a ficar, pela primeira vez em décadas, sem um tratado em vigor para limitar e controlar seus arsenais estratégicos.

O acordo estabelecia a redução das forças nucleares ativas para:

O START III também previa o monitoramento mútuo dos arsenais nucleares e proibia o posicionamento de armas estratégicas fora do território de cada país.