
Brasil participa de reunião nos EUA para criação de bloco comercial de minerais críticos

O governo dos Estados Unidos lançou na quarta-feira (4) um plano para criar uma zona de comércio preferencial para minerais críticos, buscando contrapor a presença chinesa no mercado.
A iniciativa foi apresentada durante a primeira Reunião Ministerial sobre Minerais Críticos, realizada em Washington, com a participação de representantes de diversos países, incluindo Brasil, Reino Unido, União Europeia, Japão e Índia.

O objetivo central é estabilizar os preços desses minerais essenciais entre aliados dos Estados Unidos para a fabricação de produtos como semicondutores, veículos elétricos e componentes de defesa. A estratégia inclui o estabelecimento de preços mínimos coordenados, protegidos por tarifas ajustáveis, para incentivar o investimento e evitar a desvalorização causada por excesso de oferta.
O Itamaraty teria confirmado a presença brasileira à imprensa estrangeira por meio de sua embaixada em Washington, embora a decisão sobre a adesão do país ao grupo ainda não tenha sido tomada. O governo brasileiro demonstra abertura a parcerias com o governo americano, mas defende uma abordagem bilateral e ponderada sobre o tema, como confirmado por uma fonte de Brasília ao jornal g1.
Alinhamento estratégico
A medida revela uma dimensão geoestratégica mais ampla. Rememorando a "operação militar de sucesso" na Venezuela, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, abriu seu discurso com a confissão impudente de que o acesso a recursos como petróleo e gás orienta a política externa de Washington para Caracas.
A menção, para além de um pertinente refresco à memória sobre à disposição americana à intervenção externa, contextualiza a segurança de matérias-primas como um pilar central da estratégia de defesa do país, pertinente em um contexto de competição entre grades potências.
"Nosso objetivo aqui – e a razão pela qual estamos realizando esta conferência – é alinhar a política comercial, o financiamento para o desenvolvimento e o engajamento diplomático em prol de um objetivo estratégico comum', declarou Vance.
"E esse objetivo é muito simples: diversificar a oferta global no mercado de minerais críticos, fortalecendo, ao mesmo tempo, os países parceiros que nos ajudam nesse esforço conjunto."
A iniciativa reflete a preocupação com a utilização da influência da China sobre o mercado de minerais críticos como ferramenta de negociação, especialmente após restrições de exportação impostas no ano passado. Apesar de não mencionar diretamente a China, autoridades americanas enfatizaram a necessidade de garantir uma cadeia de suprimentos mais segura e diversificada.
"Terceirizamos a produção para podermos nos concentrar no design desses produtos. E então, um dia, acordamos e percebemos que havíamos terceirizado nossa segurança econômica e nosso próprio futuro. Estávamos à mercê de quem controlasse as cadeias de suprimentos desses minerais", seguiu o vice-presidente.
A atenção dos EUA ao Brasil se justifica pelo potencial do país na exploração de minerais críticos como terras raras, cobre, níquel e nióbio. A fonte à reportagem do g1 indicou ainda que o tema pode ser discutido na vindoura reunião entre Lula e Trump em Washington, que deve ocorrer em março deste ano.
Coordenação compensatória
Paralelamente, os EUA buscam fortalecer a cooperação com parceiros como Japão e União Europeia, através de acordos e políticas comerciais coordenadas, conforme indicou o representante comercial do país, Jamieson Greer.
Ambassador Greer announced that the United States, the European Commission, and Japan intend to develop Action Plans for critical minerals supply chain resilience, laying the groundwork for a binding plurilateral agreement on trade in critical minerals with like-minded partners.… pic.twitter.com/A5RO5Hw3Pk
— United States Trade Representative (@USTradeRep) February 4, 2026
O governo Trump também está se comprometendo com investimentos significativos no setor de mineração, totalizando centenas de bilhões de dólares. Um projeto de reserva estratégica de minerais críticos, denominado "Project Vault", foi anunciado na segunda-feira (2), com um financiamento inicial de quase US$ 12 bilhões (cerca de R$ 63 bilhões).
"Acredito que isso seja um reconhecimento por parte dos Estados Unidos de que devem agir em conjunto com outros países para reduzir sua vulnerabilidade em áreas onde a China detém o domínio do fornecimento", afirmou à Reuters o analista Scott Kennedy, que lidera o programa de negócios e economia chinesa no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington.


