'O inverno está chegando', reage Medvedev ao fim do tratado de armas nucleares com os EUA

O ex-presidente russo indicou que, pela primeira vez desde 1972, Moscou e Washington 'não possuem nenhum tratado que limite as forças nucleares estratégicas'.

Moscou e Washington não têm mais um acordo de controle de armas nucleares pela primeira vez desde 1972, declarou nesta quarta-feira (4) o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente do país, Dmitri Medvedev. O comentário foi sobre a expiração, em 5 de fevereiro (quinta-feira), do Tratado de Redução de Armas Estratégicas entre EUA e Rússia, também conhecido como START III ou Novo START.

"Isso é tudo. Pela primeira vez desde 1972, a Rússia (a antiga URSS) e os Estados Unidos não têm nenhum tratado que limite as forças nucleares estratégicas. SALT 1, SALT 2, START III, START II, SORT, Novo START. Tudo isso é coisa do passado", escreveu Medvedev no X.

A publicação foi ilustrada com uma imagem do "Rei da Noite", vilão da série Game of Thrones, apresentado na obra como a personificação do mal que deseja destruir tudo, junto com a legenda: "Winter is coming" ("O inverno está chegando").

Condições do acordo

O START III foi assinado em 8 de abril de 2010 pelos então presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e dos EUA, Barack Obama, e prorrogado sem condições prévias por cinco anos, em fevereiro de 2021. A vigência do documento expira nesta quinta-feira (5).

Pelo acordo, as partes se comprometiam a reduzir suas forças nucleares ativas para:

Moscou suspendeu sua participação no pacto em fevereiro de 2023, alegando que Washington "destruiu a base legal em matéria de controle de armas e segurança" ao mobilizar a infraestrutura militar da Otan contra a Rússia. Ao mesmo tempo, a Rússia sempre declarou que pretende cumprir as restrições previstas dentro do prazo de vigência do acordo.

Em setembro passado, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Moscou está disposto a continuar aderindo ao tratado por mais um ano após sua expiração, caso os EUA adotem medida semelhante. Ao comentar a iniciativa russa, o líder americano, Donald Trump, classificou-a inicialmente como uma "boa ideia". No entanto, posteriormente, não demonstrou preocupação com a possível expiração do tratado.

Um dos principais obstáculos para a prorrogação do acordo é a intenção dos EUA de incluir a China, argumentando que seu arsenal nuclear está crescendo rapidamente. No entanto, o arsenal chinês continua sendo muito inferior ao russo e ao americano, representando entre 11% e 12% do volume destes.

O que vem a seguir?

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, alertou que "dentro de poucos dias o mundo provavelmente ficará em uma situação mais perigosa do que até agora".

"Pela primeira vez, os Estados Unidos e a Federação Russa — os dois países com os maiores arsenais nucleares do mundo — ficarão sem um documento fundamental que limite e controle esses arsenais. Acreditamos que isso seja muito ruim", afirmou.