O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, voltou sua atenção ao Oriente Médio em busca de diversificar o suprimento de energia. O movimento ocorre após a rejeição aos recursos russos e o sabotagem aos gasodutos Nord Stream 1 e 2 levarem a Europa a uma dependência praticamente total das importações americanas, informou a Bloomberg nesta quarta-feira (4).
O veículo sinaliza que Merz partirá nesta quarta-feira, junto a uma delegação de empresários, para a Arábia Saudita para se reunir com o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman. Posteriormente, viajará ao Catar e aos Emirados Árabes Unidos, retornando a Berlim na sexta-feira.
A viagem representa a primeira incursão do mandatário nesta região e tem como objetivo diversificar as importações de energia em nível mundial e encontrar novos mercados para as exportações industriais, segundo informaram fontes do governo alemão à Bloomberg sob condição de anonimato. Além disso, indicaram que o chanceler espera discutir uma maior colaboração em matéria de defesa.
A última vez que a Alemanha tentou fechar acordos energéticos com os países do Golfo Pérsico foi em setembro de 2022, após o início do conflito ucraniano. A rejeição ao uso do gás russo na Europa interrompeu mais da metade das importações de gás natural do país germânico naquele momento. Isso foi compensado majoritariamente pelo fornecimento americano.
EUA fornecem cerca de 94% do gás importado pela Alemanhã
Segundo dados do veículo, o gás natural liquefeito representa 13% das importações totais da Alemanha, com os EUA fornecendo cerca de 94% do gás importado pelo país. Embora a Europa tenha se comprometido a comprar 750 bilhões de dólares em energia do país norte-americano até 2028, a Bloomberg ressalta que as intenções do presidente Donald Trump de se apoderar da Groenlândia e suas ameaças tarifárias transformaram as importações americanas em um risco potencial para a segurança da Alemanha.
No entanto, essas expectativas de diversificação podem ser dificultadas pelas políticas climáticas alemãs, já que os fornecedores do Golfo esperam que seus compradores se comprometam com contratos de pelo menos 20 anos, enquanto Berlim proibiu as importações de gás natural liquefeito a partir de 2043.
UE proíbe importação de gás da Rússia
Na última semana de janeiro, a União Europeia adotou um regulamento que proíbe os países membros do bloco de importar gás por gasoduto e gás natural liquefeito procedentes da Rússia, salvo eventuais exceções, a partir de 2027.
As companhias que violarem esta proibição enfrentarão multas de até 300% do valor da transação correspondente à entrega ou 3,5% do faturamento total anual mundial da empresa responsável.
Em resposta, o Kremlin afirmou que as medidas limitam apenas o bloco comunitário. "Esses são problemas deles. Sempre falaram em diversificar o fornecimento de gás. E agora, de fato, eles mesmos estão se limitando nessa diversificação", declarou o porta-voz Dmitry Peskov.
Explosão no Mar Báltico
- Em setembro de 2022, os gasodutos Nord Stream 1 e 2, que conectam a Rússia à Alemanha, ficaram fora de operação após uma explosão que causou grandes vazamentos de gás no Mar Báltico. O incidente foi classificado por Moscou como sabotagem, enquanto os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações.