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Seis meses de prisão: Entenda o que levou Bolsonaro da tornozeleira à cela na Papudinha

Condenado por tentativa de golpe de Estado, ex-presidente segue em cela especial e tenta voltar ao regime domiciliar.
Seis meses de prisão: Entenda o que levou Bolsonaro da tornozeleira à cela na PapudinhaGettyimages.ru / Mateus Bonomi

Jair Bolsonaro (PL) completa nesta quarta-feira (4) seis meses preso, após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses por liderar uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Lula.

Desde então, o ex-presidente passou por três regimes de custódia, envolveu-se em controvérsias jurídicas e enfrenta um processo de enfraquecimento político e físico que afeta a estratégia de seu grupo.

O marco de seis meses coincide com uma nova ofensiva de aliados pela reversão da prisão em regime fechado. A defesa de Bolsonaro aguarda decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre um pedido de retorno à prisão domiciliar, sustentado por laudo médico que atesta agravamento das condições clínicas do ex-presidente, com episódios recorrentes de tontura, soluços e fraqueza.

A seguir, veja a linha do tempo que marca os principais episódios desde a prisão de Bolsonaro até as articulações atuais.

4 de agosto de 2025 — Prisão domiciliar é decretada

A prisão domiciliar foi decretada por Alexandre de Moraes após o ex-presidente aparecer em vídeos divulgados por aliados, mesmo proibido de usar redes sociais. À época, Bolsonaro já era réu por tentativa de golpe. A medida previa o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de comunicação.

11 de setembro de 2025 — STF condena Bolsonaro por tentativa de golpe

A Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro como líder da organização criminosa envolvida na tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Também foram condenados militares de alta patente, ex-ministros e assessores próximos. A pena total foi de 27 anos e 3 meses.

22 de novembro de 2025 — Violação da tornozeleira leva à prisão preventiva

No fim de novembro, Jair Bolsonaro rompeu a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, segundo apuração da Polícia Federal, e a ação, atribuída pela defesa a uma "paranoia medicamentosa", levou o ministro Alexandre de Moraes a decretar a prisão preventiva em 22 de novembro, data em que, com o trânsito em julgado da sentença, teve início o cumprimento da pena em regime fechado.

Bolsonaro foi detido e levado à Superintendência da PF em Brasília, onde permaneceu sob custódia até que o Supremo Tribunal Federal definisse seu local definitivo de reclusão.

15 de janeiro de 2026 — Transferência para a Papudinha

Bolsonaro foi transferido para uma sala de Estado-Maior na Papudinha, unidade da Polícia Militar no Complexo da Papuda. O espaço tem cerca de 65 m², com quarto, sala, cozinha, lavanderia e área externa. Moraes estabeleceu condições especiais, como assistência médica, alimentação diferenciada, visitas familiares e apoio religioso.

Janeiro de 2026 — Quadro clínico agrava pressão por prisão domiciliar

Durante a detenção, Bolsonaro passou por novos procedimentos médicos, incluindo cirurgias para tratar hérnias e controlar os soluços persistentes. Segundo visitantes, o ex-presidente está emocionalmente abalado e apresenta sinais de debilidade.

"Ele está muito zonzo. Os remédios para os soluços o deixam sem apetite e com risco de queda", afirmou o bispo Robson Rodovalho, após visita, ao jornal Folha de S.Paulo.

Um relatório da Polícia Militar, entregue ao STF, descreve sua rotina com caminhadas, fisioterapia e atendimentos médicos diários. Apesar da autorização solicitada por sua defesa, Bolsonaro não leu nenhum livro no período, o que poderia contribuir para redução de pena.

Expectativas e entraves para nova mudança de regime

O retorno à prisão domiciliar depende da análise do laudo médico solicitado por Moraes. A defesa sustenta que o ex-presidente, com 70 anos e múltiplos diagnósticos clínicos, não possui condições de permanecer no regime atual. Além disso, bolsonaristas pressionam pela derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, que poderia diminuir a pena e facilitar a progressão de regime.