O corpo de uma recém-nascida ficou desaparecido por quase três meses após a morte no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), segundo denúncia feita pela mãe da criança, a auxiliar administrativa Alyne Pereira, de 32 anos.
O caso veio a público após a revelação de mortes em série na Unidade de Terapia Intensiva da unidade de saúde.
"Eu entrei em depressão por conta de tudo isso que eu passei e vi agora uma série de erros que eles estão cometendo. E falei para mim mesma, eu vou falar a todos o que aconteceu comigo para nenhuma mãe passar pelo que eu passei dentro daquele hospital, alertar todas as mães", disse ela em entrevista exclusiva ao Metrópoles, publicada nesta quarta-feira (4)
Entenda o caso
Alyne deu entrada no hospital em 26 de abril de 2023, após apresentar sangramento durante a gestação, que passou a ser considerada de risco. Ela afirma que permaneceu internada por mais de duas semanas, período em que relatou falhas no atendimento e divergências com a conduta médica. Segundo a paciente, pedidos para a realização de uma cesariana teriam sido negados.
O parto ocorreu em 12 de maio. A bebê, identificada como Alice Maria, nasceu com seis meses de gestação. Alyne afirma ter visto a filha com vida logo após o nascimento.
"Ela nasceu com vida, respirando. Aí, só me mostraram ela com vida, tiraram ela da sala e me tiraram junto para ir à UTI. Desde então, nunca mais vi minha filha", citou.
De acordo com a declaração de óbito, a morte foi registrada pouco mais de uma hora após o parto. A mãe, no entanto, afirma que recebeu informações contraditórias e que, ao questionar sobre o sepultamento, não teve autorização nem explicações claras.
Encontrada em um saco plástico
Quase três meses depois, a família foi chamada para uma reunião com a direção do hospital, quando foi informada de que o corpo havia sido localizado. Segundo a mãe, o cadáver estava armazenado em um saco plástico com formol e, somente após o encontro, foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML).
O laudo do IML apontou que a causa da morte ainda precisava ser esclarecida e solicitou exame de DNA para confirmação da maternidade. O resultado, divulgado nove meses após o parto, indicou compatibilidade genética de 99,99% entre Alyne, o pai e a bebê.
Segundo a entrevistada, já foi ajuizada ação judicial contra o hospital e uma ocorrência foi registrada junto a autoridades policiais. Uma audiência de conciliação já teria acontecido na ação cível e, na criminal, o inquérito teria sido arquivado e sua reabertura solicitada.
"Precisa haver uma investigação para a gente poder entender e trazer uma resposta para a Alyne do que de fato aconteceu com a filha dela", declarou sua advogado, citada na reportagem.