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Kremlin revela próximos passos da Rússia após fim do último tratado nuclear com os EUA

Moscou agirá "de maneira ponderada e responsável", declarou o assessor do presidente russo, Yuri Ushakov.
Kremlin revela próximos passos da Rússia após fim do último tratado nuclear com os EUASputnik / Ilya Pitalev

A Rússia agirá "de forma responsável" após o término do Tratado de Redução de Armas Estratégicas, também conhecido como START III ou Novo START, que expira em 5 de fevereiro de 2026, declarou nesta quarta-feira (4) o assessor do presidente russo, Yuri Ushakov.

Segundo ele, o assunto foi abordado durante a conversa mantida hoje entre Vladimir Putin e o presidente chinês, Xi Jinping.

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"Putin enfatizou que, nessa situação, agiremos de maneira ponderada e responsável, com base em uma análise minuciosa da situação geral em matéria de segurança. Continuamos abertos a buscar vias de negociação para garantir a estabilidade estratégica", afirmou Ushakov.

O funcionário acrescentou que Moscou ainda não recebeu uma resposta clara de Washington à iniciativa do líder russo, segundo a qual as partes continuarão respeitando durante um ano as restrições estabelecidas no acordo.

Condições do acordo

O START III foi assinado em 8 de abril de 2010 pelos então presidentes da Rússia, Dmitry Medvedev, e dos EUA, Barack Obama, e prorrogado sem condições prévias por cinco anos em fevereiro de 2021.

A vigência do documento expira nesta quinta-feira, 5 de fevereiro. Nos termos do acordo, as partes se comprometeram a reduzir suas forças nucleares ativas para 700 veículos, 1.550 ogivas nucleares e 800 lançadores.

Um dos principais obstáculos à prorrogação do acordo é a intenção dos EUA de incluir a China, argumentando que seu arsenal nuclear está crescendo rapidamente. O arsenal chinês, contudo, continua sendo muito inferior ao russo e ao americano, representando entre 11% e 12% do seu volume.

O que vem a seguir?

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou na terça-feira (3) que "dentro de poucos dias, o mundo provavelmente ficará em uma situação mais perigosa do que até agora".

"Pela primeira vez, os Estados Unidos e a Federação Russa — os dois países com os maiores arsenais nucleares do mundo — ficarão sem um documento fundamental que limite e controle esses arsenais. Achamos isso muito ruim", afirmou.