O presidente colombiano Gustavo Petro deu detalhes sobre seu encontro com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, nesta terça-feira (3), em entrevista à rádio Caracol.
Petro classificou o encontro com nota "nove". Ao descrever o ambiente, destacou a atmosfera respeitosa, o que possibilitou estabelecer um entendimento entre os líderes. Ele também afirmou que foi servido um bom vinho tinto colombiano.
Um dos principais pontos da entrevista foi a Venezuela. Petro afirmou que propôs a Trump a coordenação de ações de inteligência, polícia e Forças Armadas com o governo venezuelano para transformar a região do Catatumbo, hoje marcada pelo cultivo de coca, em um polo de produção de alimentos e agroindústria.
Segundo o presidente colombiano, a iniciativa busca enfrentar os "inimigos" desse processo, responsáveis, segundo ele, pela morte de 200 camponeses durante seu governo, e foi compreendida por Trump, especialmente no que se refere à reativação econômica da Venezuela via Colômbia.
Petro também mencionou a possibilidade de uma operação conjunta entre os Exércitos da Venezuela e da Colômbia para perseguir líderes do Exército de Libertação Nacional em território venezuelano. Sobre o combate às drogas, negou que o narcotráfico tenha crescido com a política de "Paz Total" e afirmou que, após forte expansão dos cultivos em 2021, seu governo conseguiu estancar o avanço e iniciar uma redução no segundo semestre de 2025. O presidente criticou as erradicações forçadas e defendeu a eliminação "pela raiz", com participação direta dos camponeses, como alternativa às ações repressivas tradicionais.
Reaproximação
O encontro bilateral foi apresentado tanto por Washington quanto por Bogotá como uma oportunidade para aparar arestas e recompor os laços bilaterais, deteriorados após meses de acusações mútuas entre os dois líderes. O desgaste incluiu a descertificação do país sul-americano na luta contra o narcotráfico, a retirada do visto norte-americano e a imposição de sanções ao mandatário colombiano, além de duras críticas de Petro aos bombardeios dos EUA contra pequenas embarcações no mar do Caribe e no oceano Pacífico, classificadas sem provas como "narcolanchas".
No momento mais tenso, Trump acusou, sem apresentar evidências, seu homólogo de ser um dos chefes do tráfico internacional de drogas. Em resposta, Petro afirmou que os EUA recorreriam a uma falsificação semelhante à das inexistentes armas de destruição em massa no Iraque para atacar militarmente a Venezuela, derrubar seu governo e se apropriar de seu petróleo.
Além disso, o presidente colombiano instou a região a se "emancipar" da órbita norte-americana após os bombardeios dos EUA sobre a Grande Caracas, em 3 de janeiro. Na sequência, Trump ameaçou realizar uma operação semelhante em território colombiano.
Apesar disso, quatro dias depois o clima começou a se amenizar, com a realização do primeiro telefonema entre ambos e o anúncio da visita oficial de Petro a Washington.