O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarou que as tropas da denominada "coligação dos dispostos" serão enviadas à Ucrânia uma vez que um acordo de paz seja alcançado.
"Além de forças armadas fortes, a Ucrânia precisa de um apoio contundente", afirmou Rutte em discurso no Parlamento ucraniano, nesta terça-feira (3).
Segundo o secretário-geral, Estados Unidos, Europa e Canadá expressaram disposição em fornecer garantias de segurança à Ucrânia. "A 'coligação dos dispostos' está avançando no desenho dessas garantias", declarou.
Rutte fez seu discurso no Parlamento em inglês, enquanto suas palavras eram traduzidas para o ucraniano durante a transmissão.
"E uma vez que um acordo de paz seja alcançado, haverá forças armadas, aviões no ar e apoio no mar por parte daqueles que concordarem. Outros membros da Otan ajudarão de outras maneiras", declarou o chefe da Aliança, acrescentando que se trata de um passo "muito importante" e que "alcançar acordos para pôr fim à guerra exigirá decisões difíceis".
Envio de forças à Ucrânia
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou no início de janeiro que tropas britânicas serão enviadas para a Ucrânia para participar de "operações de dissuasão", após um acordo de paz entre as partes do conflito. Starmer anunciou, após a assinatura da Declaração de Paris da "coligação dos dispostos", que França e Reino Unido concordaram em construir centros militares em toda a Ucrânia após o cessar-fogo, com "o objetivo de apoiar as necessidades defensivas" do país.
Por sua vez, o mandatário francês, Emmanuel Macron, destacou que a declaração estabelece os "componentes das garantias de segurança", que incluem o estabelecimento de um mecanismo de supervisão do cessar-fogo sob a liderança dos Estados Unidos, o apoio às Forças Armadas da Ucrânia e o compromisso legal de apoiar Kiev "em caso de um novo ataque por parte da Rússia".
Alvo legítimo para Moscou
A Rússia classificou repetidamente como inaceitável o envio de contingentes militares estrangeiros para a Ucrânia. "Já dissemos centenas de vezes que, nesse caso, eles se tornarão um alvo legítimo para nossas forças armadas", afirmou o chanceler russo, Sergey Lavrov, em dezembro.
Segundo o ministro, "o 'partido da guerra' europeu, que investiu seu capital político na ideia de infligir uma derrota estratégica à Rússia, não tem piedade nem dos ucranianos nem de sua própria população".