
Por que os alimentos ultraprocessados podem fazer tão mal quanto o cigarro

No contexto de novos recordes nas estatísticas de obesidade a cada década e do aumento da frequência de doenças crônicas, o tema da alimentação torna-se cada vez mais relevante. A questão central é como incentivar a população a consumir alimentos mais saudáveis, ou seja, reduzir o consumo de produtos ultraprocessados.
A nova abordagem ao problema foi proposta pelos cientistas norte-americanos Ashley Gearhardt, Kelly Brownell e Allan Brandt. Eles publicaram um estudo que defende combater produtos ultraprocessados por meio de mecanismos semelhantes aos utilizados no controle do tabaco.
Quais são os sinais de que um produto é ultraprocessado?
Um produto ultraprocessado, segundo os pesquisadores, é aquele que passa por diversos processos tecnológicos, como a adição de aromatizantes, emulsificantes e estabilizantes, mantendo sua "essência" na forma de um "equivalente alimentar" com baixo valor nutricional. Ao mesmo tempo, os fabricantes buscam intensificar sabor, textura, aroma e aparência do alimento para torná-lo mais atrativo.

Nesse modelo, há três elementos que contribuem para a "adição" a esses produtos: dose (elevado teor de açúcares, sódio e gorduras), entrega (embalagens práticas, prontas para consumo imediato) e estímulo sensorial (combinação de sabor, aroma, cor e textura que estimula o cérebro).
Os acadêmicos destacam que esses três fatores têm muito em comum com os mecanismos utilizados na produção e comercialização de produtos derivados do tabaco.
Confira os riscos que uma pessoa que consome muitos alimentos ultraprocessados pode enfrentar.
Quais práticas podem ser adotadas da luta contra tobacco?
O principal diferencial entre as abordagens aplicadas ao tabaco e aos alimentos ultraprocessados é a falta de unificação regulatória, de legislação e de mecanismos de controle, além de políticas de educação insuficientes sobre o tema. Com base nessa avaliação, os pesquisadores desenvolveram quatro recomendações.
Em primeiro lugar, as autoridades devem restringir a quantidade de açúcar, sódio e gorduras nos alimentos ultraprocessados (AUP), com o objetivo de padronizar limites aceitáveis de processamento.
Em segundo lugar, a transparência das informações deve ser ampliada, ou seja, as embalagens devem apresentar de forma simples e clara todos os aditivos utilizados e o valor energético do produto.
Em terceiro lugar, aromas artificiais e embalagens visualmente apelativas devem ser limitados, a fim de evitar estímulos adicionais ao consumo.
Por fim, os cientistas propõem o estabelecimento de impostos sobre os AUP, com a destinação da arrecadação para programas de prevenção e controle do peso.

