Um estudante brasileiro de 15 anos foi agredido por dez colegas portugueses em uma escola pública no distrito de Viseu, em Portugal. O caso foi apurado pelo jornalista Gain Amato, do Globo, e divulgado nesta terça-feira (3).
A mãe do adolescente, Cláudia Menezes, afirmou que o filho e outros estudantes brasileiros vêm sofrendo episódios de xenofobia e ameaças na escola há cerca de 15 dias.
"Os brasileiros falaram como iriam resolver, se ficariam em guerra o tempo todo. Os portugueses disseram 'não queremos resolver. Vocês têm que voltar para o Brasil, para a terra de vocês'", relatou Cláudia.
Segundo a mãe, em um dos incidentes, um jovem brasileiro foi ameaçado com uma faca ao se afastar do grupo para buscar a irmã no colégio. O grupo teria dito que "iriam rasgar as barrigas deles".
Agressões
Na última sexta-feira (30), o estudante brasileiro se envolveu em uma discussão com um colega português de 18 anos. O desentendimento teria começado após um comentário feito pelo adolescente sobre a namorada do colega, que se sentiu incomodado.
Segundo Cláudia, a situação rapidamente escalou. O rapaz inicialmente deu um tapa no rosto do filho dela, que revidou. O conflito, no entanto, não terminou naquele momento.
"Dentro da escola, o menino que deu tapa nele veio com mais portugueses. Dez meninos em cima com murros e pontapés. Caiu no chão e levou chutes na cabeça, mas conseguiu entrar numa sala e ficar lá", afirmou.
A mãe reforçou que, na visão dela, o ataque teve motivação xenofóbica e que não se trata de ciúmes ou desentendimentos isolados. O filho não compareceu à escola nos dias seguintes por medo de novas agressões.
"Não é de agora e nem é ciúme. Foi porque não gostam dos brasileiros, não querem eles aqui. Queriam um motivo para agredir meu filho. Ele não vai à escola, tenho medo", declarou.
O jovem sofreu hematomas na cabeça e no braço direito, além de sangramento no nariz, e foi levado ao hospital.
Providências legais
A mãe do estudante enviou um e-mail à diretoria da escola solicitando a abertura de um processo interno e a adoção de medidas de proteção detalhadas por escrito. Além disso, ela procurou o Comitê dos Imigrantes de Portugal (CIP), que encaminhou o caso à advogada para acompanhamento jurídico.
A defesa pretende levar o relato completo à polícia ou ao Ministério Público, incluindo os episódios de xenofobia sofridos pelo adolescente, garantindo que todas as agressões sejam registradas e apuradas.