
'O mundo poderá ficar mais perigoso': Kremlin sobre fim do tratado de armas nucleares com os EUA

A iniciativa do presidente russo Vladimir Putin de estender as limitações estipuladas pelo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, também conhecido como START III ou Novo START, permanece em discussão.
Contudo, Moscou ainda não recebeu resposta de Washington, anunciou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta terça-feira (3).

"A iniciativa russa, apresentada pelo presidente Putin, continua em discussão. Ainda não recebemos uma resposta dos EUA sobre tal iniciativa", afirmou. Dado que o tratado expira em 5 de fevereiro, "em poucos dias, o mundo provavelmente estará em uma situação mais perigosa do que a atual", alertou Peskov.
"Pela primeira vez, os Estados Unidos e a Federação Russa — os dois países com os maiores arsenais nucleares do mundo — ficarão sem um documento fundamental para limitar e controlar esses arsenais. Acreditamos que isso está muito errado", concluiu .
Em que consiste o tratado?
O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, também conhecido como START III ou Novo START, foi assinado por Rússia e EUA em 8 de abril de 2010, e prorrogado sem condições prévias por mais cinco anos em fevereiro de 2021. A validade do documento expira na quinta-feira (5).
Sob o acordo, as partes se comprometiam a reduzir suas forças nucleares ativas para 700 transportadores, 1.550 ogivas nucleares e 800 lançadores.
Moscou suspendeu sua participação no pacto em fevereiro de 2023, alegando que Washington "destruiu a base legal em matéria de controle de armas e segurança" ao acionar a infraestrutura militar da Otan contra a Rússia. Ao mesmo tempo, o Kremlin sempre declarou que pretende cumprir as restrições previstas dentro do prazo de validade do acordo.
Em setembro passado, o presidente russo afirmou que Moscou está preparada para permanecer no tratado por mais um ano após seu vencimento caso os EUA concordem.
Ao comentar a iniciativa russa, o presidente dos EUA, Donald Trump, inicialmente a considerou uma "boa ideia"; mas, posteriormente, não fez mais nenhuma declaração sobre o vencimento do tratado.
Para saber mais sobre o Tratado de Redução de Armas Estratégicas, leia nosso artigo.

