
Aliado chave de Zelensky pede que ele 'priorize pessoas, não o território'

O governador da região de Mykolaiv, Vitaly Kim, aliado próximo de Vladimir Zelensky, defendeu que a Ucrânia priorize a preservação de vidas em vez da recuperação de territórios em um eventual acordo de paz.
Em entrevista ao jornal The Independent, publicada nesta segunda-feira (2), Kim afirmou que a população está exausta e que o foco deve ser o fim do conflito. Segundo o governador, a restauração das fronteiras de 1991 não é mais a prioridade do cidadão comum.

Para ele, a verdadeira vitória seria "interromper os combates e obter garantias de segurança para o futuro, dada a incerteza sobre o amanhã".
Kim ressaltou que o maior desgaste não é bélico, mas humano. "Nossos soldados não podem lutar por mais quatro ou dez anos", alertou, destacando que os recursos humanos do país são limitados e que o cansaço é generalizado após quase quatro anos de conflito.
Zelensky descarta concessões territoriais
Essa visão contrasta com a postura oficial de Zelensky, que até o momento descarta concessões territoriais "sem lutar".
"A Ucrânia não está disposta a aceitar compromissos que levem à violação da integridade territorial; não entregaremos Donbass e a central nuclear de Zaporozhie aos russos sem lutar", afirmou o líder do regime de Kiev na sexta-feira (30).
Por outro lado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin reiterou diversas vezes o compromisso de Moscou em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Em particular, enfatizou que a segurança da Rússia a longo prazo deve ser garantida em primeiro lugar e, portanto, é importante eliminar as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da OTAN, que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
A proposta de Moscou estipula que Kiev retire completamente suas tropas das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson (incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022) e reconheça esses territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como integrantes da Federação da Rússia. Além disso, exige garantias de neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.
