
Guiné-Bissau: militares anunciam libertação de líder opositor e prometem governo inclusivo

A junta militar que tomou o poder em Guiné-Bissau após um golpe de Estado anunciou a liberação do líder da oposição e ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, embora ele permaneça sob prisão domiciliar, e prometeu formar um governo transitório "inclusivo". A informação foi divulgada pela agência Reuters, nesta segunda-feira (2).
As medidas são uma aparente resposta à Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), que suspendeu o país da entidade e exigiu uma transição civil rápida. O chamado Comando Militar Alto derrubou o presidente Umaro Sissoco Embaló em 26 de novembro, colocando no poder o major-general Horta Inta-a.

Nesse fim de semana, Inta-a enviou carta à Cedeao afirmando que o novo governo de transição teria três ministérios para o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) e outros três para o Partido para a Renovação Social (PRS), liderado por Fernando Dias, principal adversário de Embaló. O chefe da junta militar prometeu também libertar todos os presos políticos.
Lideranças políticas deixam prisão
Pereira foi solto da detenção, mas continuará em prisão domiciliar por suspeitas de crimes econômicos, segundo a junta militar. Fontes próximas ao grupo disseram ainda à Reuters que Fernando Dias, do PRS, deixou a embaixada da Nigéria, onde havia buscado abrigo, e não enfrenta mais ameaça de prisão
Após o golpe, a Cedeao exigiu o retorno da ordem constitucional e a conclusão das eleições, o que a comissão eleitoral disse ser impossível, após a apreensão de boletins e destruição dos resultados. Com isso, um decreto presidencial marcou novas eleições para 6 de dezembro.
