A Comissão Europeia declarou que pretende avançar com o plano de eliminar as importações do petróleo russo de sua matriz energética até o final de 2027, segundo comunicado publicado nesta segunda-feira (2).
A decisão rompe décadas de cooperação comercial e prioriza o distanciamento geopolítico em detrimento da estabilidade de preços no continente, visando "evitar riscos essenciais de segurança e dependências energéticas".
Para consolidar a ruptura, o braço executivo do bloco planeja apresentar uma legislação proibitiva já no início de 2026. A medida busca tornar obrigatório o abandono do fornecimento russo, estabelecendo o prazo máximo do fim de 2027 para uma solução definitiva, não paliativa.
A própria Comissão admite que precisará "avaliar o impacto" dessa aceleração, reconhecendo os riscos à segurança do suprimento e à competitividade dos países mais vulneráveis.
"O Ocidente não quer concorrência"
A Rússia advertiu em diversas ocasiões à Europa Central e Ocidental de que o erro de prescindir do petróleo russo teria um custo elevado. Aqueles que rejeitarem os fornecimentos de portadores de energia da Rússia acabarão comprando mais caro e por meio de intermediários, afirmaram autoridades em Moscou.
Ao abordar a questão da energia em 2024, o presidente russo, Vladimir Putin, denunciou: "O Ocidente não quer concorrência, porque não consegue enfrentá-la, frequentemente perde em uma disputa justa e recorre à discriminação, apresentando isso sob o pretexto de uma suposta solidariedade euro-atlântica, da luta pelos direitos humanos, e assim por diante".
Segundo ele, "historicamente, os principais instrumentos da infraestrutura de apoio ao mercado mundial de energia se concentraram nas mãos do Ocidente".
As elites ocidentais acreditaram ser capazes de cortar o acesso a esse sistema para países considerados politicamente indesejáveis, expulsando-os do mercado, de acordo com o presidente russo. Contudo, são a Europa e a América do Norte que estão perdendo gradualmente suas posições na economia mundial como resultado dessas práticas.