O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ordenou o início de negociações nucleares com os Estados Unidos, informou nesta segunda-feira (2) a agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte do governo do país.
O Irã e os Estados Unidos já realizaram cinco rodadas de negociações nucleares indiretas, antes da deflagração da Guerra dos 12 Dias em junho de 2025, diz o veículo. A República Islâmica tem reiteradamente enfatizado que quaisquer negociações com os EUA devem ser limitadas à pauta nuclear e conduzidas livres de um clima de ameaças.
ENTENDA O PROGRAMA NUCLEAR DO IRÃ LENDO NOSSO ARTIGO.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou no sábado (31) que as autoridades iranianas estão mantendo contatos com representantes americanos com o objetivo de evitar um conflito militar no Golfo, em meio ao aumento das tensões e esforços diplomáticos regionais.
Contexto atual das tensões EUA x Irã
- As ações hostis dos EUA em relação ao Irã aumentaram significativamente no início de janeiro, quando Donald Trump ameaçou intervir militarmente no território do país, usando como pretexto a violência durante os recentes protestos no Irã. Embora pouco depois as manifestações tenham sido controladas, ele retomou as ameaças, desta vez apelando para outros motivos e voltando às exigências relacionadas aos programas nucleares e de mísseis.
- A agência iraniana de notícias ISNA revelou em 26 de janeiro que mensagens estão sendo trocadas entre o enviado especial da Casa Branca, Steven Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com o representante permanente nas Nações Unidas em Genebra, Ali Bahraini.
- Em 27 de janeiro, Trump anunciou que uma "grande armada" se dirigia ao Irã dias depois que o porta-aviões USS Abraham Lincoln e outros navios de guerra foram enviados ao Oriente Médio, deixando o país persa ao alcance de possíveis ataques.
- O governo iraniano alertou que qualquer ação militar contra o país será considerada "o início de uma guerra". Teerã afirmou ainda que suas Forças Armadas estão "com o dedo no gatilho", prontas para responder de forma imediata e contundente a qualquer agressão, mas declarou estar aberto a um "diálogo baseado no respeito e nos interesses mútuos".