
Conheça Mariano Barbacid, o homem que pode ter criado a cura para um dos cânceres mais agressivos

O bioquímico espanhol Mariano Barbacid passou a maior parte da carreira dos EUA e se consolidou como um dos principais nomes da oncologia molecular nas últimas décadas.
Nascido no ano de 1949 em Madrid, o cientista se formou em ciências químicas pela Universidade Complutense de Madri, onde onde também se tornou doutor. No final dos anos 1970 foi EUA e passou a trabalhar no National Cancer Institute, em Bethesda, no estado de Maryland, fazendo parte da equipe que identificou o primeiro oncogene humano, o HRAS.

Essa descoberta indicou que mudanças no DNA podem desencadear um câncer e revolucionou os estudos posteriores da doença.
Depois de mais de vinte anos, Barbacid regressou ao seu país de origem no começo dos anos 2000 e fundou oCentro Nacional de Investigaciones Oncológicas (CNIO) de Madri, um dos maiores centros para estudo do câncer da Europa e desde então comanda uma prodigiosa equipe de pesquisadores
O principal foco da equipe passou a ser câncer de pâncreas, um dos mais agressivos e com pior prognóstico.
A pesquisa partiu de um pressuposto central: mais de 90% destes tumores apresentam mutações no KRAS, um gente associado à proliferação das células cancerígenas. Por muitos anos, o gene foi tido como um alvo impossível de ser alcançado pelas drogas disponíveis até então.
A estratégia de Barbacid foi driblar essa limitação com uma combinação de medicamentos capazes de bloquear o KRAS mutado e vias celulares que permitem ao tumor sobreviver e desenvolver resistência.
Em estudos pré-clínicos, o método levou à eliminação completa de tumores pancreáticos em camundongos, sem reaparecimento da doença, resultado que ainda aguarda validação em testes com pacientes.
