Israel proíbe Médicos Sem Fronteiras de atuar em Gaza

A decisão decorre após a demanda a organizações internacionais para que compartilhassem dados pessoais de funcionários.

Israel decidiu proibir a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) de operar na Faixa de Gaza, após a recusa da organização em fornecer uma lista de seus funcionários, de acordo com nota do Ministério de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo de Israel publicada neste domingo (1º).

A decisão decorre da solicitação a 37 organizações em 30 de dezembro de 2025, citada pelo jornal The Times of Israel, que entregassem informações sobre seus funcionários, alegando possíveis ligações entre alguns membros da equipe e grupos armados como o Hamas e a Jihad Islâmica. O MSF nega veementemente essas alegações e se negou a entregar nomes de seus trabalhadores.

O MSF considerou inicialmente compartilhar uma lista limitada diante do fornecimento de garantias das autoridades israelenses, assegurando que as informações seriam usadas apenas para fins administrativos e não colocariam os funcionários em perigo — o que não foi atendido por Israel.

O Ministério de Assuntos da Diáspora afirma que a lista não seria compartilhada externamente e seria apenas para uso interno, demandada para diferenciar o "trabalho humanitário legítimo" de atividades que poderiam ser exploradas por "elementos hostis". Contudo, o MSF e outras organizações de ajuda temem que os dados possam ser usados para atacar funcionários em meio ao conflito.

Diante da decisão, o MSF deverá encerrar suas operações em Gaza até 28 de fevereiro.

Suspensão da assistência

Essa medida deverá impactar significativamente os serviços médicos em Gaza, onde o MSF atualmente fornece pelo menos 20% das camas hospitalares e opera cerca de 20 centros de saúde, de acordo com o jornal Le Monde. A organização relata ter realizado mais de 800 mil consultas médicas e 10 mil partos no último ano.

Organizações de ajuda alertam que a perda do apoio do MSF pode levar ao colapso de serviços de saúde essenciais, exacerbando a já grave situação humanitária.

A proibição se soma a um padrão crescente de obstrução e incerteza enfrentado por organizações humanitárias na região. Uma declaração foi emitida pela ONU no início do mês, após a demanda do governo de Israel, alegando que a medida impediria fornecimento de assistência crítica.

"As ONGs internacionais fornecem mais da metade de toda a assistência alimentar em Gaza, administram ou apoiam 60% dos hospitais de campanha, implementam quase três quartos das atividades de abrigo e distribuição de itens não alimentares e fornecem todo o tratamento para crianças com desnutrição aguda grave", escreve o documento, assinado por mais de 50 organizações internacionais

"Sua remoção fecharia instalações de saúde, interromperia a distribuição de alimentos, colapsaria os canais de distribuição de abrigos e cortaria o acesso a cuidados vitais."