O escritório regional de recrutamento militar de Zhytomyr, na Ucrânia, tentou justificar o tiroteio cometido por um de seus funcionários contra civis, alegando uma suposta ameaça à sua vida e à sua integridade física.
Na véspera, veículos de imprensa ucranianos noticiaram que um agente havia aberto fogo contra civis e divulgaram o vídeo do episódio. As imagens mostram a agressividade do recrutador e como, após um desentendimento verbal, ele saca uma arma.
O escritório de recrutamento informou nas redes sociais neste domingo que, em 31 de janeiro de 2026, no assentamento de Novohuyvynske, recrutas militares, acompanhados por representantes da Polícia Nacional da Ucrânia, pararam um homem para conferir sua documentação militar.
"Durante a verificação, constatou-se que o homem estava sendo procurado por violar normas do registro militar", escreveu o escritório. "Durante a conversa, ele se recusou a cumprir os requisitos legais, comportou-se de forma inadequada e desafiadora, utilizou linguagem ofensiva [...] e proferiu ameaças", acrescentou.
Logo depois, vários civis se envolveram no conflito. "Civis se aproximaram com atitude agressiva, comportando-se de forma inadequada, usando linguagem obscena e fazendo ameaças, além de exercerem força física: agarravam os militares pelos uniformes e empurravam", disse o escritório de recrutamento.
Segundo a versão oficial, uma dessas pessoas segurava "um objeto longo e pontiagudo, semelhante a uma estaca", o que representaria "uma ameaça real à vida e à integridade física dos presentes". "Diante do perigo real para sua própria vida e saúde, o militar se viu obrigado a usar sua arma pessoal e dar um tiro de advertência, realizando um único disparo para o chão", concluiu o escritório.
Apesar dessas alegações, o vídeo mostra claramente que foi o agente quem usou a força primeiro, segurou um homem idoso e, depois, atirou não para o chão, mas diretamente à frente, ou seja, em direção aos civis envolvidos no conflito.
Mobilização forçada
As Forças Armadas da Ucrânia enfrentam uma grave falta de efetivo, intensificada por um problema estrutural de deserções. Nesse contexto, cresce o número de civis que se tornam vítimas da mobilização forçada.
Nas redes sociais, circulam com frequência vídeos que mostram comissários militares recrutando homens à força em vias públicas, transportes coletivos e hospitais, além de registros de agentes impedindo motoristas de seguir viagem ao cercar seus veículos durante o trajeto.