O Parlamento iraniano classificou neste domingo as forças armadas dos países da União Europeia como "terroristas", depois que, nesta semana, o bloco europeu fez o mesmo com a Guarda Revolucionária do Irã (CGRI), segundo a agência Tasnim.
"Em virtude da Lei de Ação Recíproca, os exércitos dos países europeus são considerados grupos terroristas e qualquer consequência dessa medida recairá sobre a União Europeia", declarou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, durante uma assembleia consultiva.
Além disso, classificou como "ação irresponsável" a decisão do bloco comunitário de "fazer uma acusação infundada de terrorismo" contra o CGRI, "cumprindo ordens do presidente dos EUA [Donald Trump] e dos líderes do regime sionista, acelerando a marginalização da Europa na futura ordem mundial".
"O povo iraniano vê o CGRI como parte de si, por garantir sua segurança e apoiá-lo em todas as dificuldades, e considera a instituição sagrada ao seu lado", afirmou. Ele acrescentou que medidas do Ocidente "acabam apenas reforçando a união do povo e o apoio ao CGRI na defesa de sua dignidade e segurança".
Nesse sentido, Qalibaf explicou que a União Europeia, ao tentar atacar o CGRI, "que, por si só, garantia a contenção do terrorismo na Europa", acabou "atirando no próprio pé e, mais uma vez, agiu contra os interesses do seu próprio povo por uma obediência cega aos EUA".
"Com essas ações, a Europa tenta apaziguar seu senhor, os EUA, para que deixem de ameaçar sua integridade territorial. Mas esse senhor já mostrou que não valoriza nem mesmo os seus próprios servos", concluiu.
Contexto atual de EUA x Irã
- As ações hostis dos EUA em relação ao Irã aumentaram significativamente no início de janeiro, quando Donald Trump ameaçou intervir militarmente no território do país, usando como pretexto a violência durante os recentes protestos no Irã. Embora pouco depois as manifestações tenham sido controladas, ele retomou as ameaças, desta vez apelando para outros motivos e voltando às exigências relacionadas aos programas nucleares e de mísseis.
- Na terça-feira (27), Trump anunciou que uma "grande armada" se dirigia ao Irã dias depois que o porta-aviões USS Abraham Lincoln e outros navios de guerra foram enviados ao Oriente Médio, deixando o país persa ao alcance de possíveis ataques.