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Premiê da Hungria rejeita financiar apoio à Ucrânia e critica pressão de Bruxelas e Kiev

Viktor Orbán afirmou que não enviará armas, soldados nem recursos financeiros e disse que Budapeste não aceitará aumento de contribuições, "que endividariam até nossos filhos e netos", à União Europeia.
Premiê da Hungria rejeita financiar apoio à Ucrânia e critica pressão de Bruxelas e KievGettyimages.ru / Janos Kummer

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, declarou que não permitirá que o custo do apoio à Ucrânia recaia sobre a população húngara. Em entrevista à mídia local neste sábado (31) o chefe de governo rejeitou qualquer envio de armas, soldados ou recursos financeiros para Kiev e criticou o que chamou de pressão conjunta da União Europeia e da Ucrânia sobre Budapeste.

Orbán afirmou que "Bruxelas, e Kiev também, querem um governo na Hungria que ceda" e que "não ofereça resistência". Segundo o premiê, a posição húngara se baseia na recusa em participar do financiamento do conflito.

"Não enviamos armas e não estamos dispostos a contribuir para o financiamento da Ucrânia com recursos do orçamento da União Europeia", declarou.

O primeiro-ministro disse compreender a postura ucraniana, mas reiterou que Budapeste não mudará sua política.

"Para eles, não é benéfico que a Hungria não tenha intenção de enviar tropas à Ucrânia", afirmou.

Críticas aos valores

De acordo com Orbán, Kiev pede "ou exige, porque esse é o estilo deles", cerca de 800 bilhões de euros (R$ 4,9 trilhões) até 2036, além de outros 700 bilhões de euros (R$ 4,3 trilhões) para equipamentos militares.

"Isso equivale a um total de 1,5 trilhão de euros (R$ 9,3 trilhões). No entanto, esse dinheiro não existe. Bruxelas quer dar esse dinheiro a eles porque há uma aliança entre Bruxelas e Kiev", disse.

O premiê acusou Bruxelas de querer levantar os recursos por meio de empréstimos ou de maiores contribuições dos Estados-membros.

"É por isso que Bruxelas, juntamente com Kiev, quer um governo que aumente os impostos, aumente a receita do Estado e, assim, seja capaz de pagar mais dinheiro. Eles querem empréstimos e contribuições ainda maiores que endividariam até nossos filhos e netos", afirmou.