O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) teve papel fundamental na luta contra o Estado Islâmico (EI)* e outros grupos terroristas. Segundo ele, os países europeus "lamentarão profundamente" a decisão de criar tensões em torno do Exército Nacional iraniano.
"As ações da Europa não vão reduzir a tensão na região; na verdade, só a estão aumentando", disse Araghchi em entrevista à CNN durante sua passagem por Istambul. "Como sabem, a Guarda Revolucionária do Irã foi uma força muito importante na luta contra o EI e outros terroristas. Posso dizer que, se não fosse pelo CGRI, os europeus estariam hoje enfrentando o EI em Paris ou em outra cidade europeia", acrescentou.
"Infelizmente, os países europeus demonstraram grande deslealdade neste caso, e sabemos que vão lamentar profundamente essa decisão", enfatizou. Ele também avisou que, em resposta, o Irã poderia incluir os exércitos da União Europeia (UE) na lista de grupos terroristas.
O que aconteceu?
Na quinta-feira (29), o bloco europeu designou o CGRI como "organização terrorista", alegando que se trata de uma resposta às ações do grupo durante os recentes protestos no Irã.
Após os distúrbios, a República Islâmica voltou a ser alvo da administração de Donald Trump, que ameaçou diversas vezes enviar uma "maravilhosa Armada" em direção ao país.
Antes, o ministro Araghchi já havia classificado a decisão da UE como "um grave erro estratégico" e criticado a "hipocrisia" europeia. Para ele, a Europa não tomou "nenhuma medida" diante do genocídio de Israel na Faixa de Gaza, mas corre para "defender os direitos humanos" no Irã. Na avaliação do ministro, essa postura seria uma manobra de relações públicas que tenta esconder que o bloco europeu é "um ator em grave declínio”.
O secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, também prometeu uma resposta contra Bruxelas. “A União Europeia sabe que, de acordo com a resolução do Parlamento iraniano, os exércitos dos países que participaram da recente decisão da UE contra o CGRI são considerados terroristas. Portanto, as consequências recairão sobre os países europeus que impulsionaram essa medida”, escreveu Larijani em sua conta no X.
*O Estado Islâmico (EI) é reconhecido como grupo terrorista na Rússia e é proibido em seu território.