VÍDEOS, FOTOS: Choques com a polícia e comércios fechados: milhares protestam contra o ICE nos EUA

Forças de segurança usaram balas de pimenta e gás irritante contra manifestantes em Los Angeles.

Uma onda de protestos nacional, chamada Cierre Nacional (Fechamento Nacional), tomou as ruas dos Estados Unidos na sexta-feira (30) contra o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas). Multidões se reuniram no centro de Minneapolis e os confrontos mais intensos aconteceram em Los Angeles, segundo a imprensa local.

Marchas e atos ocorreram em diversas cidades, motivados pelas políticas migratórias do presidente Donald Trump. Organizadores pediram que as pessoas deixassem escolas e trabalhos e evitassem qualquer tipo de consumo. As manifestações pelo país refletiram um descontentamento generalizado com as ações do ICE.

Em Minneapolis, os protestos começaram em frente ao prédio federal Whipple, mesmo sob temperaturas baixíssimas. Mais tarde, manifestantes e moradores se reuniram no lago Bde Maka Ska, formando um "SOS" humano para chamar atenção contra as operações migratórias na cidade.

Durante o dia, grupos percorreram o centro da cidade com cartazes de "Fora ICE", acompanhados de gritos de protesto.

Um show beneficente contou com apresentações de Bruce Springsteen e Tom Morello, ex-guitarrista do Rage Against the Machine, que tocaram "Power to the People", de John Lennon, em apoio às famílias de Renee Good e Alex Pretti, mortos por agentes federais neste mês. O público gritou: "Fora ICE agora".

Em Los Angeles, perto de um prédio federal, confrontos entre manifestantes e policiais resultaram em detenções. A polícia reagiu com balas de borracha e gás irritante quando manifestantes cercaram os agentes e jogaram objetos.

Em Nova York, no Foley Square, manifestantes exibiram cartazes com frases como "protestar contra o ICE não é crime" e "justiça para todas as vítimas do terror do ICE", antes de marcharem por Manhattan.

Uma ativista disse:"Estamos aqui porque sabemos que quem ocupa cargos públicos não vai fazer nada. O povo tomou essa responsabilidade para si. Nós podemos e vamos impedir isso."

O grito de "Fechem o ICE" ecoou em várias cidades, com o mesmo espírito de rejeição às ações federais de imigração. Em Atlanta, manifestantes ocuparam uma das avenidas principais, batendo tambores e gritando "imigrantes são bem-vindos aqui!". Cartazes também diziam: "Não ao ICE".

Em Los Angeles, grandes multidões se reuniram em frente à prefeitura, com algumas pessoas segurando bandeiras e subindo em parapeitos de prédios. Em Albuquerque (Novo México), grupos marcharam pelas ruas principais. Houve protestos ainda em Columbia, Filadélfia, Chicago, Milwaukee, Phoenix, Denver e Austin (Texas).

Alunos do ensino médio e universitários abandonaram aulas em várias cidades. Alguns distritos escolares cancelaram atividades, aderindo ao boicote nacional a escola, trabalho e consumo. No Distrito Escolar de San Mateo Union, na Califórnia, dezenas de estudantes marcharam com cartazes até um grande campo aberto. Na Universidade de Wisconsin-Madison, aulas foram interrompidas para que alunos marchassem ao Capitólio estadual. Em outros estados, como Arizona, Geórgia e Colorado, atividades escolares foram suspensas preventivamente.

Em Birmingham (Michigan), estudantes da Groves High School caminharam quase um quilômetro em temperaturas negativas até um distrito comercial, recebendo apoio de motoristas que buzinavam em solidariedade. Algumas administrações escolares informaram que cancelaram aulas devido ao alto número de ausências de funcionários.

O Cierre Nacional também teve impacto econômico. Comércios de Carolina do Norte a Maine e Washington fecharam as portas em protesto contra as ações do ICE, seguindo o lema “sem trabalho, sem escola, sem compras”. Alguns estabelecimentos mantiveram atividades, mas anunciaram que doariam os lucros do dia para organizações que apoiam imigrantes em Minnesota.

A polêmica sobre o ICE aumentou em 7 de janeiro, quando um agente matou Renee Nicole Good, 37 anos, durante uma operação em Minneapolis. Desde então, os protestos se intensificaram, e outro cidadão americano, Alex Jeffrey Pretti, morreu a tiros durante uma ação para capturar um imigrante sem documentação.