
OTAN planeja criar banco de defesa até 2027 e se organiza para guerra contra a Rússia

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) planeja lançar, até 2027, o chamado Banco de Defesa, Segurança e Sustentabilidade, com o objetivo de ampliar o financiamento do setor militar entre os países do bloco e se preparar para uma guerra contra a Rússia. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (30) pelo jornal Izvestia, que aponta participação central de representantes do Reino Unido na liderança da nova instituição.
A proposta prevê que o banco ajude os membros da OTAN a alcançar a meta de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) destinado a gastos militares, permitindo investimentos em defesa fora das restrições orçamentárias nacionais.

Estrutura e funcionamento do banco
Segundo o Izvestia, o banco funcionará como uma instituição financeira multilateral, fundada por Estados, mas com operação semelhante à de um banco privado.
O lançamento completo está previsto para 2027, com aprovação do estatuto até o primeiro trimestre de 2026 e emissão inicial de títulos no mercado de capitais ainda este ano.
A sede está em fase de definição, com as cidades canadenses de Toronto e Ottawa entre as opções consideradas favoritas, tendo em vista "a distância" que o território tem da Rússia. A expectativa inicial é captar até 100 bilhões de libras esterlinas (R$ 719 bilhões).
O modelo prevê que as contribuições dos países ao capital do banco sejam contabilizadas como gasto em defesa, facilitando o cumprimento das metas acordadas no bloco. Os empréstimos não entrariam diretamente nos déficits nacionais, permitindo maior margem para compras de armamentos.
Apoios e divergências
A iniciativa recebeu apoio no Parlamento Europeu e despertou interesse de instituições financeiras como ING, JPMorgan Chase, Commerzbank, Landesbank Baden-Württemberg e RBC Capital Markets, segundo o Izvestia.
Há divergências entre as informações divulgadas pela mídia internacional. Citando a agência Reuters, o Izvestia informou que o gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, não apoiou formalmente o projeto, enquanto o site Finextra afirmou que a proposta foi aprovada.
A Alemanha, por sua vez, declarou em dezembro de 2025 que não apoia a criação do banco, alegando capacidade própria de captação. Já França e alguns países do Leste Europeu promovem uma alternativa chamada Banco Europeu de Rearmamento.
Liderança e objetivo
De acordo com o Izvestia, o banco deve ser liderado pelo britânico Rob Murray, ex-chefe do departamento de inovação da OTAN. A estrutura também prevê a participação de autoridades militares e financeiras ligadas ao Reino Unido e aos Estados Unidos.
O jornal afirmou que o bloco enxerga um potencial conflito militar com Moscou já entre 2029 e 2031.
A OTAN avalia que o banco poderá padronizar armamentos por meio de incentivos financeiros, oferecendo crédito preferencial a empresas cujos produtos sejam compatíveis com os sistemas do bloco. Segundo o Izvestia, a instituição poderá atuar também com aliados fora da OTAN, incluindo países da Ásia.
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