
Departamento de Justiça dos EUA divulga mais três milhões de páginas de arquivos sobre Epstein

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (30) três milhões de páginas de arquivos sobre o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.
O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou em uma coletiva de imprensa que os novos documentos incluem 2 mil vídeos e 180 mil imagens relacionadas ao caso.
Blanche explicou que havia um total de 6 milhões de documentos, mas devido à presença de material de abuso sexual infantil e às obrigações relativas aos direitos das vítimas, nem todos os documentos serão divulgados desta vez.

Os arquivos que estão sendo publicados no site do Departamento incluem algumas das várias milhões de páginas que, segundo as autoridades, foram retidas em uma divulgação inicial de documentos em dezembro de 2025.
O novo comunicado dá continuidade às revelações feitas de acordo com a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, aprovada em novembro, após meses de pressão pública e política.
Blanche afirmou que, "embora a lei permita a retenção de informações sobre elementos que precisam ser mantidos em segredo por razões de segurança nacional ou política externa, nenhum arquivo é retido ou compilado com base nisso".
O procurador-geral também especificou que, de acordo com a lei, o Departamento deve posteriormente apresentar às comissões judiciárias de ambas as Casas do Congresso um relatório listando todas as categorias de documentos divulgados e retidos, além de um resumo das censuras realizadas.
No relatório, devem estar incluídos a base legal para tais censuras e uma lista de todos os funcionários públicos e pessoas politicamente expostas nomeadas ou mencionadas na lei. Blanche garantiu que esses requisitos serão cumpridos dentro do prazo estipulado pela lei.
'Estão infringindo a lei'
Ainda nesta sexta-feira, Robert Garcia, membro do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes, repreendeu o governo Trump por "tentar reter aproximadamente 50% dos arquivos de Epstein, alegando ter cumprido integralmente a lei".
"Isto é ultrajante e muito preocupante", disse ele.
O documento observa que a Comissão de Supervisão ordenou à Procuradora-Geral Pam Bondi que entregasse todos os arquivos à comissão, ao mesmo tempo em que protegia as vítimas. "Eles estão infringindo a lei", acusou.
"Exigimos os nomes dos cúmplices de Epstein e dos homens e pedófilos que abusaram de mulheres e meninas. Iniciaremos uma análise minuciosa desta última denúncia limitada, mas sejamos claros: nosso trabalho e nossa investigação estão apenas começando", anunciou Garcia.
Para saber mais sobre quem foi Jeffrey Epstein, leia nosso artigo.
O que se sabe sobre os crimes de Epstein?
O bilionário americano Jeffrey Epstein foi condenado em 2008 por aliciar uma menor para fins sexuais e, posteriormente, acusado de tráfico sexual de menores em larga escala. Ele era conhecido por seu círculo de amigos, que incluía políticos de alto escalão, celebridades e empresários. Sua residência particular na ilha de Little St. James, no Caribe, tornou-se o epicentro de inúmeras investigações de abuso sexual.
Ele morreu em 2019 em sua cela em uma prisão de Nova York enquanto enfrentava acusações federais, em um evento oficialmente registrado como suicídio, o que encerrou parcialmente seu caso, mas deixou várias investigações em aberto sobre seus associados e redes de exploração.
Entretanto, os documentos judiciais já divulgados implicam diversas pessoas influentes como cúmplices do financista, incluindo o príncipe britânico Andrew, o investidor bilionário Glenn Dubin, o ex-governador do Novo México Bill Richardson, entre outras figuras de destaque.


