O governo da Venezuela rejeitou nesta sexta-feira (30) uma ordem executiva emitida no dia anterior pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ordem visa impor tarifas aos países que comercializam petróleo legalmente com Cuba, o que Caracas considera contrária ao direito internacional.
"Qualquer medida que limite ou condicione a troca de bens e serviços, bem como a liberdade dos Estados de decidir soberanamente seus parceiros comerciais, constitui uma violação do direito internacional e dos princípios fundamentais que regem o comércio global”, diz um comunicado divulgado pelo ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, em suas redes sociais.
A esse respeito, o texto sublinha que "o livre comércio é um princípio fundamental das relações econômicas internacionais entre Estados soberanos, e não pode estar sujeito a qualquer tipo de coação que impeça o livre intercâmbio de bens e serviços".
Por outro lado, Caracas expressou sua solidariedade ao povo cubano, estimulou a comunidade internacional a "enfrentar as consequências humanitárias decorrentes de agressões dessa natureza" e repudiou que a ilha seja classificada como "uma ameaça" à segurança dos EUA.
"Considerar Cuba uma ameaça à segurança nacional dos EUA é um absurdo que implica graves ameaças à sua existência como nação", conclui o documento.
Nova investida dos EUA
Na quinta-feira (29), Trump assinou um decreto para declarar "emergência nacional" alegando que, em suas palavras, a ilha representa "uma ameaça incomum e extraordinária" para a segurança de seu país e do resto da região. Com isso, o presidente dos EUA ameaçou impor tarifas aos países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba.
Para justificar a decisão, Trump aludiu ao alinhamento de Havana "com vários países hostis, grupos terroristas transnacionais e atores malignos adversários dos EUA [...], entre eles, o governo da Federação Russa, a República Popular da China, o governo do Irã, o Hamas e o Hezbollah", bem como à presença de pessoal militar e de inteligência de Moscou e Pequim em território cubano e a sua "cooperação" com grupos considerados por Washington como "terroristas transnacionais".
Em declarações posteriores, Trump garantiu que não pretendia "afogar" a nação caribenha com esta nova ordem.
"Não, não é minha intenção, mas parece que é algo que simplesmente não vai conseguir sobreviver. Acho que Cuba não vai conseguir sobreviver", afirmou ao ser questionado pela imprensa sobre o assunto, sem mencionar os efeitos do bloqueio que a Casa Branca impôs há mais de seis décadas, qualificado por especialistas como uma forma de punição coletiva contra o povo cubano.
'Agressão brutal'
A ordem executiva dos Estados Unidos e a pretensão de coagir países terceiros para impor o bloqueio contra Cuba foram categoricamente rejeitadas pelas autoridades cubanas, que a qualificaram como um "ato brutal de agressão".
"Condenamos veementemente a nova escalada dos EUA contra Cuba. Agora, propõe-se impor um bloqueio total ao fornecimento de combustível ao nosso país. Para justificar isso, baseia-se em uma longa lista de mentiras que pretendem apresentar Cuba como uma ameaça que não é. A cada dia há novas evidências de que a única ameaça à paz, à segurança e à estabilidade da região, e a única influência maligna, é a que exerce o governo dos EUA contra as nações e os povos da Nossa América, aos quais tenta submeter ao seu julgo, despojar de seus recursos, mutilar sua soberania e privar de sua independência", escreveu na rede social X o chanceler cubano Bruno Rodríguez.
Por sua vez, o presidente Miguel Díaz-Canel assegurou que bloquear o fornecimento de combustível ao seu país "evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de um bando que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais". Ao mesmo tempo, denunciou que a medida deixou em evidência a hipocrisia de Washington, que insiste em classificar suas coações contra o país latino-americano como "embargo no comércio bilateral".