O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, afirmou que a organização não tem mais autoridade moral para participar das negociações sobre a Ucrânia. A declaração foi dada nesta sexta-feira (30) em entrevista ao canal Rossiya-24.
"Nós ficamos sabendo sobre o que acontece na pista de negociações pelos jornais, assim como vocês, eu acho. Nós não participamos dela, assim como não participa a ONU, que perdeu o direito moral de participar dela, incluindo o secretário-geral [da ONU, António Guterres], que joga apenas em um lado do campo", disse Nebenzia. Segundo ele, o tema já foi abordado repetidas vezes em discursos e em conversas diretas com Guterres.
"Sobre isso o ministro Lavrov também lhe falou, mas nada adianta", acrescentou.
António Guterres declarou na quinta-feira (29) que o departamento jurídico da ONU concluiu que, diferentemente da Groenlândia, o princípio da autodeterminação não se aplica aos casos da Crimeia e do Donbass.
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O Kremlin classificou como "profundamente equivocadas" as conclusões de Guterres, afirmou nesta sexta-feira (30) o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov.
"Consideramos tais conclusões profundamente equivocadas do ponto de vista do direito internacional", disse Peskov. "Não concordamos com essas conclusões e mantemos nossa posição fundamentada, bem conhecida por todos."
Entenda o contexto da Crimeia e do Donbass
- A República Popular de Lugansk, a República Popular de Donetsk e as províncias de Zaporozhie e Kherson votaram a favor de fazer parte da Rússia, em um referendo de setembro de 2022.
- A Crimeia se uniu à Rússia em março de 2014, depois que 96,77% da população da península disseram sim à proposta.
- Moscou afirmou repetidamente que os novos territórios são parte integrante da Federação da Rússia, e descartou a possibilidade de abandoná-los. "Os territórios que se tornaram sujeitos da Federação Russa, que estão inscritos na Constituição do nosso país, são parte integrante da Rússia. Este é um fato absolutamente indiscutível, um fato inegociável", afirmou em fevereiro de 2025 o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
- O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, reiterou que "a Rússia não negocia a integridade de seu território", e acrescentou que o presidente dos EUA, Donald Trump, entende isso.