
Maduro foi 'traído' por altos oficiais da Venezuela, afirma representante da Rússia na ONU

O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, afirmou nesta sexta-feira (30), que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi "traído" por altos funcionários, mas os Estados Unidos não poderão repetir a mesma estratégia em Cuba. A declaração aconteceu em entrevista ao canal de televisão Russia 24.
"Na Venezuela, sem dúvida, houve traição, e isso é dito abertamente. Parte dos altos funcionários, na essência, traiu o presidente", afirmou o diplomata. "Isso não funcionará em Cuba", acrescentou.

Nebenzia observou que a escalada contra Cuba, frente a recentes declarações dos Estados Unidos, continua sendo "até agora apenas retórica".
"Porque em Cuba não haverá um 'passeio fácil' se eles quiserem repetir algo semelhante ao que aconteceu na Venezuela", enfatizou o representante.
Escalada permanente e sustentada
Após a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela, que culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, Donald Trump fez declarações ameaçando aumentar a pressão sobre Cuba.
O presidente afirmou que "entrar e destruir" a ilha poderia ser a única opção restante para forçar uma mudança. "Não mais petróleo nem dinheiro para Cuba. Zero! Recomendo enfaticamente que cheguem a um acordo antes que seja tarde demais", disse ele semanas atrás.
Em meio às medidas de pressão contra a nação caribenha, entre elas ações para bloquear a entrada de petróleo, Trump afirmou na quinta-feira (29) que acredita que Cuba "não conseguirá sobreviver".
Além disso, na quinta-feira (29), o presidente americano assinou um decreto para declarar uma "emergência nacional", em virtude da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que a ilha representa para a segurança de seu país.
"Agredido pelos EUA há 66 anos"
Respondendo aameaças de Trump, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, lembrou que o seu país enfrenta a agressão de Washington há mais de seis décadas e que estão dispostos a defendê-lo.
"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, prepara-se, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", afirmou o presidente no dia 11 de janeiro.
O bloqueio imposto pelos EUA à ilha tem sido sistematicamente rejeitado pela maioria dos países do mundo, incluindo a Rússia e a China.
O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou a sua solidariedade com Cuba e o apoio à defesa da sua independência e soberania, no último dia 15. "Gostaria de salientar que a Rússia e a República de Cuba mantêm relações verdadeiramente sólidas e amigáveis. Sempre oferecemos e continuamos a oferecer assistência aos nossos amigos cubanos", sublinhou, em uma reunião com representantes diplomáticos.
Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou na quarta-feira (28) que Moscou observa com "profunda preocupação" os planos dos EUA de endurecer ainda mais o bloqueio contra Havana.


