
Chancelaria russa: secretário-geral da ONU tornou-se um guia de propaganda do Ocidente

O secretário-geral da ONU, António Guterres, tornou-se um guia da propaganda ocidental ao declarar que, ao contrário da Groenlândia, Donbass e a Crimeia não têm o direito à autodeterminação, afirmou nesta sexta-feira (30) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

Durante uma conferência de imprensa, a porta-voz lembrou que o chefe da ONU fez uma declaração "muito estranha" ao afirmar que o princípio da autodeterminação supostamente não se aplica à situação da Crimeia e de Donbass, onde, segundo ele, "prevaleceria o princípio da integridade territorial da Ucrânia".
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"Segundo o secretário-geral, essa conclusão foi alcançada pelo Escritório de Assuntos Jurídicos da ONU após um 'estudo exaustivo da questão'. Acredito que esse é precisamente o processo que estávamos discutindo, quando, durante muitos anos, a seleção de pessoal no Secretariado da ONU não se baseou em qualificações e profissionalismo, mas sim em cotas em determinadas etapas e na política de tolerância de gênero implementada, onde os indicadores profissionais eram, por vezes, relegados a um papel secundário. O mais importante era que os fatores políticos, ideológicos e outros estivessem alinhados", disse Zakharova.
Ela também indicou que tais declarações violam inclusive o artigo da Carta que exige que os funcionários do Secretariado "aderam ao princípio da imparcialidade, incluindo a necessidade de se absterem de qualquer ação que possa afetar sua posição como funcionários internacionais responsáveis apenas perante a organização".
Zakharova observou ainda que as declarações de Guterres contradizem outro artigo que os exorta a se absterem de fazer declarações politicamente tendenciosas e de interpretar as regras da Carta em nome de toda a organização, muito menos de forma seletiva.
A porta-voz declarou que o regime de Kiev não representa os moradores de Donbass e da Crimeia. Portanto, ao negar-lhes os mesmos direitos que, segundo Guterres, a Groenlândia desfruta em sua relação com a Dinamarca, o secretário-geral está assumindo unilateralmente o poder de conceder direitos aos povos.
Entenda o contexto da Crimeia e do Donbass
- A República Popular de Lugansk, a República Popular de Donetsk e as províncias de Zaporozhie e Kherson votaram a favor de fazer parte da Rússia, em um referendo de setembro de 2022.
- A Crimeia se uniu à Rússia em março de 2014, depois que 96,77% da população da península disseram sim à proposta.
- Moscou afirmou repetidamente que os novos territórios são parte integrante da Federação da Rússia, e descartou a possibilidade de abandoná-los. "Os territórios que se tornaram sujeitos da Federação Russa, que estão inscritos na Constituição do nosso país, são parte integrante da Rússia. Este é um fato absolutamente indiscutível, um fato inegociável", afirmou em fevereiro de 2025 o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
- O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, reiterou que "a Rússia não negocia a integridade de seu território", e acrescentou que o presidente dos EUA, Donald Trump, entende isso.

