'Traição': Políticos do Canada condenam reuniões secretas entre separatistas e governo Trump

Segundo o jornal Financial Times, encontros aconteceram em Washington e trataram da independência da província canadense de Alberta. Líderes de outras localidades do país criticaram duramente a ideia de separar o território.

Políticos do Canadá criticaram um grupo separatista, que promove a independência da província de Alberta, por se reunir com funcionários do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e solicitar apoio ao seu projeto, segundo informou o Financial Times, nesta sexta-feira (30). 

As reuniões em Washington entre autoridades americanas e representantes do Alberta Prosperity Project (ou "Projeto de Prosperidade de Alberta", em tradução livre) causaram indignação entre políticos canadenses.

"Ir a um país estrangeiro e pedir ajuda para desmembrar o Canadá, há uma palavra antiga para isso, e essa palavra é traição", declarou o primeiro-ministro da Columbia Britânica, David Eby.

"É completamente inadequado tentar enfraquecer o Canadá, pedir ajuda a uma potência estrangeira para dividir este país", acrescentou.

Outras personalidades políticas se juntaram a suas palavras, salientando falta de ética em desviar do governo federal canadense, em favor de negociações diretas com as autoridades dos Estados Unidos.

"Espero que o governo americano respeite a soberania canadense. Sempre sou claro a esse respeito em minhas conversas com o presidente Trump", afirmou o primeiro-ministro federal, Mark Carney, acrescentando que o presidente nunca havia levantado a questão do separatismo em seus contatos.

Já a primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, que defende a permanência da província no Canadá, segundo o FT, observou que as reivindicações independentistas crescem devido a "queixas legítimas" contra o governo federal.

Baseando-se em uma pesquisa publicada na última sexta-feira (23) pela empresa de consultoria Ipsos, que identificou 28% de apoio à secessão, Smith afirmou que não queria "demonizar ou marginalizar um milhão de [seus] concidadãos".

"O que pode ser mais nobre?"

O Financial Times relatou, na quarta-feira (28), que os líderes do projeto de independência mantiveram três reuniões com assessores de Trump em Washington desde abril de 2025. Além disso, solicitaram uma nova reunião para o próximo mês com o objetivo de pedir uma linha de crédito de 500 bilhões de dólares (quase R$ 2,6 trilhões) para apoiar a província caso os separatistas vençam um hipotético referendo de independência. Até o momento, nenhuma consulta pública foi convocada.

Enquanto isso, um representante da Secretaria de Estado da Casa Branca reafirmou na quinta-feira (29) que "não foi oferecido apoio, nem assumidos outros compromissos" e destacou que "os funcionários do governo se reúnem com vários grupos da sociedade civil".

O projeto, por sua vez, rejeitou as acusações de comportamento impróprio. "Não é traição", disse Dennis Modry, cofundador do grupo, ao FT.

"O que pode ser mais nobre do que a busca pela autodeterminação, a busca por seus objetivos e aspirações, a busca pela liberdade e prosperidade?", questionou.

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