Trump recebe lista ampliada de alternativas militares contra o Irã - NYT

Segundo fontes, presidente dos EUA adota uma estratégia parecida com a usada na Venezuela.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nos últimos dias uma lista ampliada de possíveis ações militares contra o Irã. As opções incluem medidas para causar mais danos às instalações nucleares e de mísseis do país ou até para enfraquecer a liderança iraniana, informou o The New York Times na sexta-feira (30).

De acordo com altos funcionários do governo norte-americano ouvidos pelo jornal, as alternativas vão além das propostas avaliadas anteriormente por Trump. O novo pacote prevê, inclusive, a possibilidade de incursões diretas de forças dos EUA em território iraniano. Até o momento, porém, Trump não autorizou nenhuma operação nem escolheu uma das propostas apresentadas pelo Pentágono, segundo as fontes.

"Como comandante em chefe das Forças Armadas mais poderosas do mundo, o presidente Trump tem muitas opções à disposição em relação ao Irã", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly. Ela acrescentou que o presidente "espera que nenhuma ação seja necessária", mas alertou que o governo iraniano "deveria fechar um acordo antes que seja tarde demais".

No mesmo contexto, fontes relataram que Trump estaria aplicando ao Irã uma estratégia semelhante à usada contra a Venezuela, quando Washington concentrou forças militares próximas à costa do país por meses como parte de uma campanha de pressão contra o então presidente Nicolás Maduro.

Um alto funcionário dos EUA, no entanto, destacou que qualquer operação no Irã seria muito mais complexa do que no caso venezuelano. Segundo ele, o risco para as tropas americanas seria bem maior, já que Teerã representa um adversário muito mais forte.

Por isso, Trump segue avaliando um leque amplo de opções, que, segundo os informantes, poderiam ser executadas simultaneamente ou em diferentes combinações.

Entre as propostas mais arriscadas está o envio secreto de comandos americanos para destruir ou danificar gravemente partes do programa nuclear iraniano que não teriam sido atingidas nos bombardeios realizados em junho.

Outra possibilidade seria uma série de ataques contra alvos militares e da liderança iraniana, com o objetivo de provocar um nível de instabilidade que criasse condições para que forças de segurança iranianas ou outros atores internos removessem o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Nesse cenário, observa o NYT, não está claro quem assumiria o poder nem se um eventual sucessor estaria mais disposto a negociar com os Estados Unidos.

Além disso, Israel pressiona por uma terceira alternativa: quer que Washington participe de um novo ataque contra o programa de mísseis balísticos do Irã. Segundo serviços de inteligência, Teerã teria reconstruído grande parte dessa capacidade após ataques israelenses durante a chamada "guerra dos 12 dias", em junho passado, relataram autoridades.