'Ato brutal de agressão': Cuba condena à nova escalada dos EUA

"A única ameaça à paz, à segurança e à estabilidade da região é a exercida pelo governo dos Estados Unidos contra os povos da nossa América", afirmou o chanceler cubano Bruno Rodríguez.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, criticou duramente nesta sexta-feira (30) as novas medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o país. A declaração foi feita em uma publicação do chanceler na rede social X.

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que autoriza a imposição de tarifas sobre importações de países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba.

"Condenamos nos termos mais firmes a nova escalada dos Estados Unidos contra Cuba", escreveu Rodríguez.

Segundo o chanceler, Washington busca impor um bloqueio total ao fornecimento de combustível à ilha. "Para justificar essa política, o governo norte-americano se apoia em uma longa lista de mentiras, tentando apresentar Cuba como uma ameaça que não é", afirmou.

Rodríguez declarou ainda que há "evidências diárias" de que "a única ameaça à paz, à segurança e à estabilidade da região, assim como a única influência maligna, é a exercida pelo governo dos Estados Unidos contra as nações e os povos da nossa América". Segundo ele, Washington tenta submeter outros países à sua vontade, explorar seus recursos, mutilar sua soberania e privá-los de sua independência.

De acordo com o chanceler, os EUA também recorrem à chantagem e à coerção para pressionar outros países a aderirem à política de bloqueio contra Cuba. "Aos que se recusam, Washington ameaça impor tarifas arbitrárias e abusivas, em violação a todas as normas do livre comércio", afirmou.

"Denunciamos diante do mundo esse brutal ato de agressão contra Cuba e seu povo, submetido há mais de 65 anos ao bloqueio econômico mais prolongado e cruel já imposto contra uma nação inteira, e que agora pode ser levado a um agravamento ainda maior das condições de vida", concluiu Rodríguez.

"Agredida pelos EUA há 66 anos"

Antes disso, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que o país é alvo de agressões dos Estados Unidos há 66 anos e reiterou que Cuba está preparada para defender sua soberania.

"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos Estados Unidos há 66 anos, e não ameaça: se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", declarou o presidente, em resposta às ameaças do governo Trump.

"Relações sólidas e amistosas"

No dia 15 de janeiro, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que Moscou se solidariza com Cuba pela firmeza com que defende sua soberania e independência. "Gostaria de destacar que a Rússia e a República de Cuba mantêm relações verdadeiramente sólidas e amigáveis. Sempre oferecemos e continuamos oferecendo assistência aos nossos amigos cubanos", declarou o presidente russo.

A China também manifestou apoio a Havana e pediu que os Estados Unidos encerrem as violações do direito internacional e suspendam imediatamente o bloqueio e as sanções contra a ilha. "A China continuará oferecendo apoio e ajuda a Cuba dentro de suas capacidades. Sob a forte liderança do Partido Comunista e do governo cubano, o povo cubano será capaz de superar dificuldades temporárias", afirmou na terça-feira (27) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun.