
Caracas confirma abertura de espaço aéreo comercial com os Estados Unidos

O Departamento de Imprensa da Presidência da Venezuela confirmou nesta quinta-feira (29) que o "espaço aéreo comercial" do país será reaberto imediatamente , após permanecer fechado por várias semanas por ordem do governo dos Estados Unidos, dias antes da invasão militar que culminou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, a deputada Cilia Flores.

Em um comunicado à imprensa, a Assessoria de Imprensa da Presidência detalhou que a medida foi alcançada "após uma conversa telefônica entre a presidente encarregada da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez, e o presidente norte-americano, Donald Trump", que ocorreu nesta quinta-feira.
"Este anúncio marca um marco na agenda bilateral, priorizando a conectividade e a mobilidade dos cidadãos num quadro de cooperação mútua. A Presidente em exercício, Delcy Rodríguez, enfatizou recentemente que, num contexto de respeito e diplomacia, diversas questões bilaterais serão abordadas para garantir a paz e o bem-estar social de ambas as nações", afirmou a assessoria de imprensa de Miraflores.
Entretanto, Caracas enfatizou que, "por meio do diálogo diplomático", ambos os governos "reafirmam um entendimento que beneficiará os cidadãos venezuelanos e americanos", que agora "poderão viajar direta e seguramente". Isso inaugurará, segundo o comunicado, "uma nova era de intercâmbio e estabilidade nas viagens aéreas internacionais".
Agressão dos EUA e sequestro de Maduro
- Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma agressão militar maciça em 3 de janeiro em território venezuelano, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. As áreas visadas eram principalmente de interesse militar, abrigando sistemas de defesa aérea e infraestrutura de comunicações, embora áreas urbanas também tenham sido afetadas, resultando em vítimas civis.
- Caracas descreveu as ações de Washington como uma "agressão militar gravíssima" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
- Diversos países ao redor do mundo, incluindo Rússia e China, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência externa.
- Segundo o Ministério do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, pelo menos 100 pessoas morreram no ataque, incluindo 32 cubanos do grupo que protegia Maduro.
- No domingo (18), o governo venezuelano negou categoricamente as reportagens da Reuters sobre supostas conversas entre o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e os Estados Unidos antes do sequestro de Maduro. Refutaram também as "notícias falsas" sobre uma suposta condecoração de agentes de inteligência estrangeiros, afirmando que se tratava de uma campanha para semear desconfiança dentro das forças governantes.
