Deputados austríacos querem retirar a cidadania da ex-ministra das Relações Exteriores, Karin Kneissl, por causa de seus vínculos com a Rússia e de declarações críticas feitas contra o próprio país, segundo informou a mídia local, na quarta-feira (28).
A proposta foi apresentada pelo partido liberal Neos, que defende a abertura de um processo formal para avaliar a possível revogação da cidadania, alegando que as atitudes de Kneissl prejudicam os interesses e a imagem da Áustria.
Kneissl comandou a diplomacia austríaca de 2017 a 2019. Atualmente, vive na Rússia, onde trabalhou para um centro de estudos geopolíticos ligado à Universidade Estatal de São Petersburgo. Em entrevistas recentes, ela fez comentários duros sobre a Áustria e sua sociedade, o que provocou reações negativas entre políticos e gerou um debate público sobre os limites da liberdade de expressão.
Especialistas em direito afirmam, no entanto, que a legislação austríaca estabelece critérios muito restritos para a retirada da cidadania. De acordo com a Lei da Cidadania, a medida só pode ser aplicada em casos excepcionais, como quando uma pessoa entra voluntariamente a serviço de um Estado estrangeiro e causa danos significativos aos interesses do país. Críticas e declarações ofensivas, por si só, não costumam ser motivo suficiente para esse tipo de sanção.