Irã acusa Europa de hipocrisia: ignora genocídio em Gaza e cobra 'direitos humanos'

Teerã acusou o bloco de agir a pedido dos Estados Unidos; críticas ocorrem após Bruxelas classificar CGRI como terrorista.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que a Europa está cometendo um "grave erro estratégico" ao designar o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) como uma suposta "organização terrorista". Segundo ele, o CGRI é o "Exército Nacional" do Irã, e não um grupo terrorista.

Araghchi declarou, em publicação na rede social X, que vários países tentam evitar uma guerra total no Oriente Médio, mas "nenhum deles é europeu". O chanceler acusou a Europa de "avivar as chamas" do conflito e lembrou que, após impulsionar o mecanismo de 'snapback' a pedido dos Estados Unidos, a União Europeia volta agora a se alinhar a Washington em sua política em relação a Teerã.

O ministro iraniano também criticou a "hipocrisia" europeia, afirmando que o bloco não tomou "nenhuma medida" diante do genocídio cometido por Israel na Faixa de Gaza, mas se apressa em "defender os direitos humanos" no Irã. Para Araghchi, essa postura representa sobretudo uma manobra de relações públicas para ocultar o fato de que a Europa é "um ator em grave declínio".

Araghchi advertiu ainda que, no caso de uma guerra total na região, o continente europeu seria "massivamente afetado", inclusive pelo impacto significativo nos preços da energia. Ele concluiu que a atual posição da UE "prejudica profundamente seus próprios interesses" e afirmou que "os europeus merecem algo melhor do que aquilo que seus governos têm a oferecer".

''Obediência'' aos interesses israelenses e americanos?

O Estado-Maior das Forças Armadas do Irã classificou a decisão da União Europeia como "ilógica, irresponsável e carregada de rancor", segundo informou a agência oficial iraniana. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, o órgão militar afirmou que a medida se insere "sem dúvida" em uma obediência "incondicional" às políticas "hegemonistas e desumanas" dos Estados Unidos e de Israel.

A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, responsável pela diplomacia do bloco, comparou a Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) a grupos como o Hamas e a Al-Qaeda. "Se você age como um terrorista, deve ser tratado como um terrorista", declarou em entrevista coletiva antes da designação oficial.