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Lavrov: Trump não escondeu que precisa do petróleo venezuelano quando sequestrou Maduro

O ministro das Relações Exteriores da Rússia traçou um paralelo entre a posição de Washington em relação ao Irã e a "operação ilegal" dos EUA na Venezuela.
Lavrov: Trump não escondeu que precisa do petróleo venezuelano quando sequestrou MaduroGettyimages.ru / XNY / Star Max

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não escondeu que estava atrás do petróleo venezuelano quando ordenou o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que ainda estão presos nos EUA. A declaração foi feita em entrevista à mídia turca.

"O presidente dos EUA, Donald Trump, não escondeu o fato de que, ao iniciar uma operação completamente ilegal que mina todas as normas do direito internacional, incluindo a imunidade incondicional a oficiais de governo, e, ao sequestrar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que agora está preso nos EUA com sua esposa, ele declarou abertamente que os americanos precisam do petróleo venezuelano", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia abordou da mesma forma a atitude de Washington em relação ao Irã, observando que a República Islâmica possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. Ele afirmou estar "praticamente convencido" de que os EUA também têm interesse em controlar tais fontes de energia, bem como explorar a localização estratégica do Estreito de Ormuz.

Para saber mais sobre o estreito de Ormuz, leia nosso artigo.

Agressão dos EUA e sequestro de Maduro

  • Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma agressão militar maciça em 3 de janeiro em território venezuelano, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. As áreas visadas eram principalmente de  interesse militar, abrigando sistemas de defesa aérea e infraestrutura de comunicações, embora áreas urbanas também tenham sido afetadas, resultando em vítimas civis.
  • Caracas descreveu as ações de Washington como uma "agressão militar gravíssima" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
  • Diversos países ao redor do mundo, incluindo Rússia e China, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência externa.
  • Segundo o Ministério do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, pelo menos 100 pessoas morreram no ataque, incluindo 32 cubanos do grupo que protegia Maduro.
  • No domingo (18), o governo venezuelano negou categoricamente as reportagens da Reuters sobre supostas conversas entre o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e os Estados Unidos antes do sequestro de Maduro. Refutaram também as "notícias falsas" sobre uma suposta condecoração de agentes de inteligência estrangeiros, afirmando que se tratava de uma campanha para semear desconfiança dentro das forças governantes.