O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, brincou dizendo que o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, age como se fosse um "vencedor", com suas exigências e ambições. Porém, na realidade, ele está longe disso, destacou Lavrov em entrevista recente ao canal de televisão turco TGRT e ao jornal Türkiye.
"Quando ouço Zelensky declarar: 'temos um acordo de segurança de 100% com os EUA, que não cederemos um centímetro do nosso território e que ainda precisamos decidir como recuperar a Usina Nuclear de Zaporozhie', tenho a estranha sensação de que ele está falando como um 'vencedor', e não apenas um vencedor no campo de batalha em Donbas e Novorossiya, mas um 'vencedor de toda a Europa' em seu confronto com os Estados Unidos", brincou Lavrov.
Nesse sentido, o ministro condenou as tentativas da Europa de forçar o presidente dos EUA a seguir as políticas de seu "inimigo declarado" e antecessor, Joe Biden. "A Europa claramente não só superestimou a sua própria força, como também falhou em manter a decência e o respeito pelas políticas que o novo presidente [Trump] começou a implementar a nível mundial. Zelensky acusou a Europa de ser excessivamente branda com Donald Trump, argumentando que deveria ser mais dura e envolver os EUA num apoio mais ativo à guerra. Isto aconteceu em Davos", criticou.
Além disso, o ministro rejeitou mais uma vez qualquer cessar-fogo temporário. "O presidente Vladimir Putin afirmou repetidamente que o cessar-fogo que Zelensky exige, mais uma vez, por pelo menos 60 dias, e de preferência por um período mais longo, é inaceitável para nós. Porque todos os esforços diplomáticos anteriores durante a operação militar especial terminaram com um cessar-fogo, que foi imediatamente utilizado para fornecer à Ucrânia novas armas, dar ao regime um fôlego, prender o máximo de pessoas possível nas ruas das cidades ucranianas, forçá-las a serem enviadas para a linha da frente como bucha de canhão e, em geral, para obter uma trégua e acumular forças para continuar a guerra contra a Rússia", destacou Lavrov.
Proposta de Moscou para um acordo de paz
- O presidente russo reiterou diversas vezes o compromisso de Moscou em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Em particular, enfatizou que a segurança da Rússia a longo prazo deve ser garantida em primeiro lugar e, portanto, é importante eliminar as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da Otan, que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta de Moscou estipula que Kiev retire completamente suas tropas das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson (incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022) e reconheça esses territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como integrantes da Federação da Rússia. Além disso, exige garantias de neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.