'Trump não acreditou': Lavrov revela segredo sobre a cúpula no Alasca

Segundo o chanceler russo, Trump se surpreendeu ao saber, durante negociações com Putin, de medidas que teriam restringido direitos linguísticos e religiosos da população russa na Ucrânia.

As leis aprovadas na Ucrânia nos últimos anos que violam os direitos da população russa surpreenderam o presidente norte-americano, Donald Trump, quando ele tomou conhecimento delas durante as negociações em agosto de 2025. A revelação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov.

"Vou revelar um segredo. Espero que não fiquem ofendidos. Quando estávamos no Alasca, o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente norte-americano, Donald Trump, iniciaram negociações e abordaram a questão dos direitos dos russos, que estavam totalmente proibidos na Ucrânia", afirmou Lavrov em entrevista à mídia turca TGRT e Türkiye.

Segundo Lavrov, o presidente russo "mencionou que não só a língua russa havia sido proibida, mas também a Igreja Ortodoxa Ucraniana canônica [ligada ao Patriarcado de Moscou]".

"O presidente Trump não acreditou nisso. Ele perguntou várias vezes ao seu secretário de Estado, Marco Rubio, se essas leis realmente tinham sido aprovadas na Ucrânia", observou o ministro das Relações Exteriores.

Lavrov lembrou que a exigência de que o Estado garanta os direitos de todas as minorias nacionais está prevista tanto na Constituição da Ucrânia quanto na Carta das Nações Unidas.

O chanceler russo afirmou que a parte russa pergunta a seus colegas turcos, a alguns ocidentais, aos parceiros do BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai que têm contatos com Kiev se os ucranianos mencionam essas questões relacionadas aos direitos humanos, às liberdades linguísticas e religiosas. "Muitas vezes não nos respondem. Ao que parece, infelizmente, ninguém além de nós levanta essas questões ao regime ucraniano", destacou.

Lavrov mencionou como exceção o governo Trump, que "após se familiarizar com o assunto durante vários meses, elaborou um 'plano de 28 pontos' no qual exigia com bastante clareza o restabelecimento dos direitos das minorias nacionais, linguísticas, religiosas, etc.", que foi posteriormente corrigido tanto pela Ucrânia quanto por seus aliados europeus e apresentado em uma nova versão a Washington.

"Ainda não vimos o documento na íntegra, mas as versões provisórias já não incluem a exigência de garantir e respeitar os direitos das minorias nacionais", destacou Lavrov.