
Busca de Israel por restos mortais de prisioneiro em Gaza profanou ao menos 250 sepulturas

A busca das forças israelenses pelos restos mortais do último prisioneiro mantido em Gaza, o policial Ran Gvili, resultou na profanação de pelo menos 250 sepulturas no cemitério de al-Batsh, no leste da Cidade de Gaza, informou na quinta-feira (29) o jornal catari Al Jazeera na quinta-feira (29).

A operação, feita com maquinário pesado e escavadeiras, exumou corpos, destruiu lápides e alterou drasticamente a paisagem do local, destacou o veículo citando imagens aéreas.
O movimento palestino Hamas condenou a exumação como "antiética e ilegal", enquanto organizações de direitos humanos a classificam como uma violação flagrante do direito internacional humanitário.
Para as famílias palestinas, a ação representou uma violação profunda. "Cadáveres espalhados, ossos e sacos jogados. Eles estavam escavando túmulos e despejando os restos como se não significassem nada", afirmou Fatima Abdullah. O marido dela foi morto em um ataque israelense em dezembro de 2024, e agora ela teme não conseguir localizar a sepultura dele.
Violação sistemática
O Observatório Euro-Med de Direitos Humanos documentou que o exército israelense destruiu ou danificou gravemente aproximadamente 21 dos 60 cemitérios de Gaza desde o início da guerra, deixando milhares de famílias em incerteza sobre o destino dos corpos de seus parentes.
Madeline Shuqayleh relatou ao veículo que sua família não sabe o que aconteceu com os restos mortais de sua irmã e sobrinha bebê, mortas em um ataque em outubro de 2023, enterradas em um cemitério submetido à operação israelense. "É como se as tivessem matado novamente", afirmou.
