
Lavrov: conflito ucraniano é um 'confronto amplo' entre a Rússia e o Ocidente

Moscou considera a crise ucraniana um "amplo confronto" entre a Rússia e o Ocidente, no qual a Ucrânia atua como um "peão" nas fronteiras russas, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, nesta quinta-feira (29).
"A Ucrânia é um peão, um instrumento usado pelo Ocidente para construir um arsenal bem nas fronteiras da Federação Russa, a fim de criar ameaças diretas à nossa segurança", disse Lavrov em entrevista à mídia turca.
O chanceler afirmou que esse processo começou após a independência da Ucrânia, quando o país teria sido preparado para ingressar na OTAN, apesar de, recorda ele, a declaração de independência prever neutralidade, não adesão a blocos militares e renúncia a armas nucleares.

De acordo com Lavrov, com base nessa política de neutralidade declarada após o fim da União Soviética a Rússia reconheceu a independência ucraniana, posição que teria sido adotada pela maioria dos países.
"Quando ocorreram os primeiros protestos de 2004 na Praça da Independência [Maidan], o Ocidente, principalmente os europeus, mas também os americanos, já os apoiavam naqueles anos e não conseguiram conter seus desejos, que se refletiam textualmente em seus discursos", afirmou.
"Exigiram uma terceira rodada eleitoral porque o protegido ocidental, Viktor Yushchenko, não conseguia vencer [de outra forma]".
Euromaidan: pago por Washington? Leia em nosso artigo.
Segundo o chanceler russo, o então chanceler da Bélgica declarou, antes dessa terceira rodada considerada ilegal por Moscou, que os ucranianos deveriam escolher um lado: estar "com a Europa ou com a Rússia".
O ministro disse que essa postura reflete uma "mentalidade de controle" que os europeus "mantêm há mais de 500 anos", desde os períodos colonial e da escravidão, com a intenção de prolongar uma lógica neocolonial às custas de outros países e de criar ameaças a competidores.
Lavrov afirmou expectativa dos europeus era a de que a Rússia seguisse o destino da União Soviética e também entrasse em colapso.
