O preço do petróleo Brent atingiu cerca de US$ 70 (cerca de R$363) por barril nesta quinta-feira (29), o nível mais alto desde setembro. O crescimento está associado a riscos geopolíticos elevados após novas ameaças de Donald Trump ao Irã, de acordo com a análise do jornal americano Bloomberg.
Os futuros do Brent avançaram mais de 2,5%, conforme o levantamento, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) ficou em torno de US$ 64 (cerca de R$223), no terceiro dia consecutivo de altas. Avalia-se que a tendência de valorização contradiz expectativas anteriores de queda por excesso de oferta; a realidade da pressão geopolítica dos Estados Unidos à Venezuela e ao Irã, entretanto, resultou na aplicação de prêmios de risco nos preços de comercialização do combustível.
O presidente dos Estados Unidos advertiu Teerã que deve aceitar um acordo sobre seu programa nuclear ou, caso contrário, enfrentará ataques militares. Ele afirmou que as forças navais americanas destacadas na região estão preparadas para agir "com rapidez e violência, se necessário".
Cadeias globais de suprimento
Essas declarações reacenderam os temores de uma possível ofensiva de Washington e de represálias iranianas que possam interromper os fluxos de petróleo do Oriente Médio, que concentra aproximadamente um terço da oferta mundial, para além do trânsito de gás natural liquefeito.
O analista da corretora petrolífera PVM, John Evans, delineou as preocupações do mercado com "danos colaterais caso o Irã ataque seus vizinhos" em um evento de provocação militar. O risco é ainda maior frente à vantagem fisiográfica do Irã em sua posição territorial no Oriente Médio, que possibilita que o país "feche o Estreito de Ormuz aos 20 milhões de barris de petróleo que por ali passam diariamente”, adverte o analista.