Graças a ameaças de Trump sobre a Groenlândia, premiê da Dinamarca retoma popularidade

As reações de Mette Frederiksen às declarações do presidente dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, território autônomo dinamarquês, elevaram as projeções eleitorais do seu partido e reduziu o impacto da derrota eleitoral sofrida nas eleições municipais de novembro de 2025.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, ganhou fôlego político ao reagir às declarações de Donald Trump sobre a anexação da Groenlândia. A defesa da soberania dinamarquesa provocou uma reação de apoio à chefe de governo, informou o site Politico nesta quinta-feira (29).

Após o revés nas eleições municipais de novembro de 2025, quando os social-democratas perderam pela primeira vez em um século a disputa em Copenhague, o cenário para Frederiksen era adverso. O quadro mudou com a escalada da disputa em torno da ilha no Ártico.

Um levantamento da consultoria Megafon, feito entre 20 e 22 de janeiro com 1.012 entrevistados, indica que o Partido Social-Democrata, no poder, teria 22,7% dos votos e 41 cadeiras no Parlamento, acima das 32 projetadas na pesquisa anterior, de dezembro.

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No cargo desde 2019 e à frente de uma coalizão com os Moderados e o partido Venstre (Partido Liberal da Dinamarca), Frederiksen respondeu diplomaticamente às declarações de Trump sobre a Groenlândia e, até agora, conseguiu "conter o avanço" norte-americano, segundo a imprensa.

"Não há outra explicação para isso", afirmou Anne Rasmussen, professora de ciência política no King's College London e na Universidade de Copenhague, ao comentar o crescimento do apoio.

"Antes de mais nada, trata-se da Groenlândia", disse.

Na mesma linha, a eurodeputada dinamarquesa Christel Schaldemose afirmou que "muitos dinamarqueses estão agora se voltando para os social-democratas porque o partido [...] demonstra forte liderança quando até mesmo a pessoa mais poderosa do mundo desafia a soberania".

Analistas, no entanto, avaliam que o "momento favorável em relação à Groenlândia" tende a perder força.

"Não acho que desaparecerá da noite para o dia, mas imagino que, à medida que certas questões nacionais se tornem mais proeminentes na agenda, as pessoas basearão seus julgamentos nelas com mais frequência ao pensarem em quem votar", disse Rasmussen.