A aprovação da candidata Duda Odara Silva de Souza, autodeclarada trans*, preta e não-binária, no curso de medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tornou-se alvo de polêmica nos últimos dias. O caso ganhou repercussão após a divulgação do Relatório de Notas da instituição, segundo o qual a candidata obteve 6,25 pontos de um total de 20 no exame discursivo de química, etapa que integra a segunda fase do processo seletivo.
Em publicações que viralizaram na rede social X e somaram mais de 1 milhão de visualizações, um usuário resgatou a lista de alunos da Escola Parque — colégio do Rio de Janeiro conhecido pelas altas mensalidades — aprovados no vestibular e afirmou que Odara é formada pela instituição.
''Essa pessoa comemorando a aprovação na UFRJ ficou em 1243º lugar, garantindo uma das 104 vagas do curso'', escreveu o usuário conhecido como Eumenes na postagem.
As reações se dividiram entre manifestações de apoio a Odara e questionamentos sobre sua aprovação. Enquanto alguns classificaram o resultado como um "absurdo" e criticaram as políticas de cotas, outros defenderam o sistema, sugerindo que as críticas seriam motivadas por racismo ou argumentando que "se for uma boa aluna, vai conseguir seu diploma e trabalhar tranquilamente".
Em suas redes sociais, a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da UERJ publicou uma nota de repúdio contra os ''atos de discriminação e ataques às políticas de inclusão''.
''Tais manifestações são inaceitáveis e revelam desconhecimento (ou negação) das profundas desigualdades sociais, econômicas e educacionais que historicamente marcam a sociedade brasileira'', escreve a FCM na nota.
*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.